O podcast tem como foco  central a abordagem  das lutas dos movimentos sociais  no passado e no presente

Por Patrícia Rosa

Imagem: Divulgação MPT

O Brasil de Fato, em parceria com a CESE (Coordenadoria Ecumênica de Serviço), lançou no último dia 12 de junho mais um episódio do podcast “No Rastro das Lutas: movimentos populares abrindo caminhos para a democracia e direitos no Brasil”. Com tema escravidão contemporânea no Brasil, é o terceiro episódio da série, que estrou no dia 15 de maio. 

Em 2022 o Brasil contabilizou 520 pessoas resgatadas em situação de trabalho análoga a escravidão, de acordo com dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Para falar sobre o tema, o podcast ouviu o Frei Xavier Plassat, frade dominicano da Comissão Pastoral da Terra (CPT)  que trabalha no combate ao trabalho análogo à escravidão no Brasil, e Soledad Requena, que é assessora de Gênero do Centro da Mulher Imigrante e Refugiada (CEMIR). “Eu estou convencida de que o trabalho análogo ao de escravo é um efeito do sistema capitalista. A gente faz tudo para enfrentá-lo, para erradicá-lo, mas é um assunto que responde ao sistema. O sistema capitalista precisa do trabalho análogo ao de escravo”, afirmou Soledad no programa.

“Na população brasileira, o afrodescendente é no máximo 55%. A gente tem 75% no caso do trabalho escravo. Então, não é invenção dizer: o racismo continua prevalecendo. O trabalho escravo tem cor!”, afirmou Frei Xavier.

O primeiro episódio da série abordou  a luta indígena na construção da democracia, e o segundo episódio, lançado no dia 29 de maio, teve como tema as lutas para conquista e efetivação dos direitos das trabalhadoras domésticas no Brasil.

O podcast tem como foco  central a abordagem  das lutas dos movimentos sociais  no passado e no presente, para mostrar que os direitos conquistados até aqui não vieram de graça e as disputas continuam até hoje.

Para a assessora de projetos e formação da CESE, Viviane Hermida, a produção é importante para dialogar com a sociedade e  fazer um contraponto aos veículos hegemônicos.

“Me parece mais importante ainda que as organizações de defesa de direitos se comuniquem com as pessoas,  mostrem que os direitos e a democracia, mesmo com suas fragilidades, foram fruto de muita luta coletiva. E também que nada está garantido e devemos nos manter vigilantes para não permitir retrocessos e abrir novas perspectivas.”

A série terá quinze episódios, e vai receber pessoas que participaram da construção das lutas populares no passado e no presente. Os episódios estão disponíveis na página do Jornal Brasil de fato.