Por Catiane Pereira*
A Polícia Civil de São Paulo investiga uma denúncia de estupro coletivo contra um estudante de 12 anos dentro de uma escola estadual na zona norte da capital paulista. O caso teria ocorrido no dia 27 de fevereiro, em um dos banheiros da unidade, envolvendo quatro adolescentes, alguns deles colegas mais velhos da vítima.
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) em nota enviada a veículos de imprensa, a ocorrência foi registrada inicialmente no 46º Distrito Policial, no distrito de Perus, como ato infracional por estupro de vulnerável. Posteriormente, o caso foi encaminhado ao 74º Distrito Policial, responsável pela área onde a escola está localizada.
Segundo o relato da família à polícia, a mãe do estudante procurou as autoridades após perceber uma mudança de comportamento no filho ao retornar da escola. Diante da situação, ela questionou o filho mais velho, que teria sido informado por um colega sobre uma movimentação incomum no banheiro da unidade. O colega relatou ter retirado o menino do local após notar a presença de outros estudantes.
Após conversar com o filho, a família decidiu registrar boletim de ocorrência. O menino teria apontado quatro adolescentes, estudantes do 7º e do 9º anos, como envolvidos no episódio.
Ainda conforme o registro policial, dias depois do ocorrido, a mãe foi até a escola para solicitar providências. Durante uma reunião com a direção e os responsáveis de alguns dos estudantes citados, um dos adolescentes teria se dirigido à vítima e dito para que ele “pensasse bem” sobre o que contaria, insinuando que poderia agredi-lo na saída da escola.
A SSP-SP informou que a vítima deverá prestar depoimento acompanhada de um responsável nos próximos dias. Por envolver menores de idade, detalhes da investigação estão sendo preservados.
A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo afirmou que lamenta o ocorrido e declarou repudiar qualquer forma de violência ou abuso dentro ou fora das escolas. A pasta informou que a Unidade Regional de Ensino Norte 1 instaurou apuração para verificar a conduta da gestão escolar em relação ao caso.
Modus Operandi e misoginia na adolescência
Casos de violência sexual envolvendo adolescentes têm ganhado repercussão nacional nos últimos meses. Um dos episódios divulgados nacionalmente ocorreu em 31 de janeiro, quando uma adolescente de 17 anos foi vítima de estupro coletivo em um apartamento em Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro. Quatro homens maiores de idade e um adolescente de 17 anos foram indiciados pelo crime. As investigações apontam que a jovem foi atraída ao local por meio de mensagens enviadas pelo ex-namorado, também menor de idade, que a convidou para ir ao apartamento de um amigo.
Durante audiência da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, realizada no Senado Federal na terça-feira (10), a juíza da Vara de Infância e Juventude do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), Vanessa Cavalieri, responsável por julgar o adolescente envolvido no caso, afirmou que situações semelhantes têm aparecido com frequência em processos analisados pela Justiça. Segundo a magistrada, há padrões de comportamento que se repetem em casos de estupro coletivo entre adolescentes e tem observado um padrão misógino entre os jovens.
“Não é o primeiro (…) caso de estupro coletivo entre adolescentes de escolas tradicionais, de classe média, que eu recebo na minha vara. E tem algo que me chama a atenção nesses casos (…) É que claramente esses meninos estão reproduzindo uma cena que eles viram em vídeo de sexo explícito pornográfico. Há uma repetição de um comportamento de algo que eles não deveriam nem estar tendo acesso (…)”, afirmou a juíza.
Logo em seguida, ela complementa a sua fala com a observação de que a faixa etária com homens mais misóginos hoje é a adolescência. “Tem uma pesquisa de uma universidade inglesa que mostra que em 2025 (…) a faixa etária com maior número de homens misóginos e com ódio de mulheres é na adolescência. Tem mais adolescentes misóginos do que homens adultos e homens idosos (…) isso é principalmente provocado por causa do acesso precoce à pornografia”, conclui.
*Com informações de Agência Brasil, G1 e UOL


