Por Claudia Correia

Imagem: Michele Brito

Nos dias 11 e 12 de novembro uma intensa programação marcou a celebração dos 26 anos da reconquista do território indígena Kiriri em Mirandela, município de Banzaê, no nordeste da Bahia.

O Festival da XXVI Reconquista do Território Indígena Kiriri contou com passeata pela aldeia; rituais da Zambumba e Toré; exposição de artesanato; campeonato de arco e flecha e palestras com lideranças Kiriri, Kaimbé (Euclides da Cunha) e Katrimbó (Monte Santo).

Este ano as comemorações contaram com a presença do secretário de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social da Bahia (SJDHDS), Carlos Martins; do coordenador de Políticas para os Povos Indígenas da SJDHDS, Jerry Matalawê e o do coordenador do Movimento Unidos dos Povos e Organizações Indígenas na Bahia (Mupoiba) Célio Kiriri.

O secretário Carlos Martins ressaltou a importância da busca pela demarcação das terras indígenas. “Há 26 anos essa luta teve um desfecho. É importante que vocês façam isso todo ano, não só para mostrar a relevância da demarcação de terras no Brasil, mas também para manter a tradição e reafirmar que só vence quem luta”, afirmou o secretário.

O cacique Lázaro Kiriri, de 94 anos, líder da comunidade Kiriri, destacou que o momento deve ser lembrado pelos jovens e velhos para dar sentido à luta pela terra. “Comemoramos o dia de hoje para a gente lembrar os velhos e para os novos conhecem a história. Mirandela hoje é dos Kiriri”, afirmou. 

Referência nacional

A retomada do território Kiriri ocorreu em 1995, após décadas de disputa de terra entre os indígenas e os posseiros. Cerca de três mil kiriris vivem atualmente na localidade, em uma área de 12 mil hectares onde é cultivada mandioca, feijão e milho.

As famílias Kiriri foram ameaçadas e expulsas de suas terras no passado, obrigadas a viver em condições desfavoráveis, em áreas sem estrutura. Após anos de luta, com apoio da Associação Nacional de Ação Indigenista-Anaí, a comunidade conquistou a homologação da demarcação administrativa de seu território, através do decreto 98.828 de 15 de janeiro de 1990. A experiência teve grande repercussão e se transformou numa referência para o movimento nacional em defesa dos direitos territoriais indígenas.

A história do povo Kiriri está registrada em algumas produções acadêmicas como o livro Os Kiriri de Mirandela: um grupo indígena integrado, da pesquisadora Maria de Lourdes Bandeira, de 1972.