Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Professor da UFRJ recebe prêmio internacional por pesquisa sobre Alzheimer

Neurocientista brasileiro é reconhecido por estudos sobre mecanismos de proteção do cérebro contra a doença
Imagem: Agência Brasil

Por Catiane Pereira*

O neurocientista brasileiro Mychael Lourenço, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), foi premiado com o ALBA-Roche Prize for Excellence in Neuroscience Research 2026, uma das principais honrarias internacionais da área. O reconhecimento destaca contribuições relevantes para a compreensão de doenças do cérebro, com foco nas pesquisas do cientista sobre o Alzheimer.

A premiação será entregue durante o FENS Forum 2026, encontro internacional de neurociência que ocorre em julho, em Barcelona, na Espanha. O trabalho de Lourenço investiga os mecanismos moleculares associados ao declínio cognitivo e busca entender por que algumas pessoas conseguem manter a função cerebral mesmo diante de alterações típicas da doença.

“Estou profundamente honrado em receber o prêmio ALBA-Roche de Excelência em Neurociência. Esse reconhecimento reflete o trabalho do nosso laboratório e a dedicação de estudantes e colaboradores”, afirmou o pesquisador em entrevista.

Uma das principais linhas de investigação do cientista, apoiada pelo programa IDOR Ciência Pioneira, analisa a chamada “resiliência ao Alzheimer”. A hipótese central é que certos mecanismos celulares, responsáveis por manter a produção adequada de proteínas, podem proteger o cérebro contra processos neurodegenerativos.

Ao compreender como esse sistema de proteção natural funciona, o pesquisador espera contribuir para o desenvolvimento de terapias capazes de retardar ou impedir a progressão da doença. Atualmente, o Alzheimer ainda não tem cura e os tratamentos disponíveis apresentam eficácia limitada.

A trajetória de Lourenço na ciência começou na própria UFRJ, onde se formou em Ciências Biológicas, com especialização em genética, e concluiu mestrado e doutorado em química biológica. Ele também realizou pós-doutorado como pesquisador visitante na Columbia University, nos Estados Unidos, antes de retornar ao Brasil para liderar seu próprio grupo de pesquisa.

Criado no Rio de Janeiro por uma mãe solo, o cientista enfrentou obstáculos sociais e raciais ao longo da formação acadêmica. Hoje, além de conduzir pesquisas sobre demências, também se dedica à formação de novos pesquisadores e à construção de ambientes científicos mais inclusivos.

“Espero que esse reconhecimento incentive jovens cientistas de países em desenvolvimento a perseguirem uma ciência ambiciosa, sem abrir mão do rigor”, disse.

A doença de Alzheimer é considerada um dos principais desafios da medicina contemporânea. Estima-se que cerca de 40 milhões de pessoas convivam com a condição no mundo, sendo aproximadamente 2 milhões no Brasil.

Caracterizada inicialmente pela perda de memória recente, a doença evolui para comprometimentos mais amplos, afetando raciocínio, comunicação e mobilidade. Pesquisas como a de Lourenço buscam avançar na compreensão dos fatores que tornam o cérebro mais ou menos vulnerável ao desenvolvimento da condição, abrindo caminho para novas estratégias de tratamento.

*Com informações da AdUFRJ e Medicina S/A

Compartilhar:

.

.
.
.
.

plugins premium WordPress