A primeira turma contou com 25 mulheres de seis estados nordestinos

Por Daiane Oliveira

Imagem: Rafael Gueiros

Mulheres negras representam apenas 2% do Congresso Nacional e são menos de 1% na Câmara dos Deputados, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) contínua do IBGE. Diante das dificuldades na disputa de espaços, o projeto “Mulheres negras rumo aos espaços de poder: fortalecendo mulheres negras para as eleições” ofertou o curso de Media Training, treinamento de mídia, com o intuito de capacitação para a disputa política e eleitoral promovendo o acesso aos poderes Legislativo e Executivo.

A primeira turma contou com 25 mulheres negras da Paraíba, Pernambuco, Ceará, Bahia, Rio Grande do Norte e Alagoas, que participaram do Curso de Mídia Advocacy com conteúdos relativos ao modelo de democracia representativa do Brasil e funções e atribuições de cada cargo eletivo. Com especialistas da área de Media Training, as pré-candidatas tiveram aperfeiçoamento de como se posicionar nas mídias digitais entre os dias 9 e 12 de junho.

A organização explica que a participação política em cargos eletivos no Brasil ainda é um desafio para mulheres, negras, jovens, população LBTQIA+, pobres, de religião de matriz africana e das periferias.  Piedade Marques, da Rede de Mulheres negras de Pernambuco, diz que a sociedade ganha com as eleições de mulheres negras e aponta as eleições como um reconhecimento da estrutura do racismo e patriarcado.

“Quando votamos em mulheres negras, vamos contra uma ordem de exclusão, de violência e construímos uma outra perspectiva de sermos no mundo. A legislação, a política e a política pública mudam para melhor”, comenta Piedade Marques, da Rede de Mulheres negras de Pernambuco.

Para Débora Marcolino, pré-candidata a deputada estadual pelo Partido dos Trabalhadores (PT) em Alagoas, o curso é importante por instrumentalizar o saber nos principais canais para acesso aos eleitores. “Vai fortalecer o conhecimento nosso diante da mídia e meios de comunicação, esses meios hoje são os que a gente mais possui para poder argumentar”, conta.

A iniciativa realizada pela Rede de Mulheres Negras de Pernambuco, em parceria com a Casa da Mulher do Nordeste e apoio da Open Society, tem previsão para nova turma no final do mês de junho, com a participação de mais 25 pré-candidatas.