Texto: Divulgação

Ilustração: Annie Ganzala.

Nas eleições de 2022, a população brasileira se depara com o aumento da diversidade nas candidaturas, mesmo diante de sistemas político e eleitoral que privilegiam homens, brancos e ricos. Com 9.415 pedidos de candidatura, o número de mulheres concorrentes é recorde e representa um terço do total. Candidaturas indígenas aumentaram 32% e de pessoas negras representam metade dentre os candidatos e candidatas, significando outro recorde.

Nesse contexto, a Plataforma dos Movimentos Sociais pela Reforma do Sistema Político anunciou a reedição da campanha #QueroMeVerNoPoder. Lançada em 2020, ela trouxe para as eleições municipais no Brasil o debate sobre a sub-representatividade nos espaços de poder. Atualmente, o país possui 24% de pretos e pardos na Câmara Federal, enquanto o número de mulheres chega a 15% e há apenas uma deputada indígena. O Congresso também possui baixa representação de jovens, pessoas com deficiência e declaradamente LGBTQIA+.

Além de dar continuidade aos debates sobre os mecanismos para combater a sub-representatividade, a campanha traz como novidade as discussões em torno da branquitude e a responsabilidade que pessoas em lugar de privilégio tem de se engajar e atuar por uma composição política mais diversa.

“É necessário convocar as pessoas brancas, cis, hétero a atuarem na prática pela equidade na política e na sociedade. Por exemplo, é importante que os homens brancos que se posicionam como antirracistas votem e façam campanha por candidaturas negras e indígenas. O comprometimento dever ser compartilhado para que a mudança aconteça de fato”, afirma Carmela Zigoni, assessora política do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), organização que compõe a Plataforma.

A partir de conteúdos digitais, a campanha pretende pautar a importância da representatividade na política, além de produzir análises e artigos que contribuam com esse debate. Uma live, prevista para o final de setembro, irá reunir movimentos da América Latina que buscam enfrentar a sub-representação nos espaços de poder em seus países.

A campanha “Quero Me Ver no Poder” também discutirá o atual sistema político brasileiro e as propostas para a construção de uma democracia participativa, representativa e direta. Esse debate tem sido feito pela Plataforma dos Movimentos Sociais pela Reforma do Sistema Político, que reúne mais de 120 organizações. “A campanha tem a importância de reafirmar o voto em mulheres, pessoas negras, indígenas, LGBTs, mas sem se limitar apenas ao debate eleitoral, compreendendo que muitas mudanças precisam ocorrer para termos um sistema político de fato democrático”, afirmou Alex Hercog, do coletivo Intervozes, que integra a Plataforma.

A campanha tem o apoio do Fundo Pulsante e mais informações estão disponíveis no site www.reformapolitica.org.br e nas redes sociais da Plataforma. A nova edição da “Quero Me Ver no Poder” será realizada entre o dia 25 de agosto e após o término das eleições, em outubro.