Aos 67 anos a rezadora foi morta em casa, na frente do filho que conseguiu fugir dos assassinos

Por Daiane Oliveira

Imagem: Reprodução

Estela Verá, de 67 anos, conhecida líder religiosa do povo Guarani e Kaiowá, foi assassinada dentro de casa, na frente do próprio filho, por dois homens encapuzados no dia 15 de dezembro, última quinta-feira.  O assassinato aconteceu na Terra Indígena Ivy Katu, no município de Japorã, no Mato Grosso do Sul.

De acordo com a Assembleia-Geral do povo Kaiowá e Guarani (Aty Guasu), a liderança espiritual Estela foi alvo principal dos assassinos, e vários tiros acertaram a cabeça da rezadora que veio a óbito no local, ainda no pátio da casa, um espaço onde ficavam as crianças.

A região, na divisa com o Paraguai, é uma área de conflitos violentos entre povos indígenas e fazendeiros. Em nota a Aty Guasu, afirma que a: “Terra Yvy Katu é um território tradicional retomado em 2003 e 2013 onde todas as lideranças sofrem a ameaça de morte por parte dos fazendeiros. Várias lideranças de Yvy Katu sofrem ameaças de morte por fazer denúncias contra arrendatários das terras indígenas Yvy Katu. A rezadora Estela foi uma das lideranças espirituais ameaçadas de morte no Yvy Katu.”

Outra líder indígena, Leila de Ivy Katu, de 61 anos, também sofre com ameaças desde que se opôs aos arrendamentos ilegais na região, conforme nota da Aty Guasu. Já o líder Vitorino Sanches foi assassinado com 35 tiros em setembro de 2022. A liderança vinha sofrendo ameaças, sendo que escapou com vida de um atentado em agosto deste ano, mas não resistiu a violenta emboscada que o vitimou com dezenas de tiros no Mato Grosso do Sul.

Há cerca de 120 mil indígenas Guarani-Kaiowá no Mato Grosso do Sul, segundo a associação. Alguns morando em reservas indígenas, mas muitos em uma das 69 áreas indígenas Retomadas, que ficam nas divisas de fazendas. Nesses lugares os conflitos são mais violentos.

A Assembleia-Geral do povo Kaiowá e Guarani solicita que haja investigação federal do assassinato da liderança religiosa tradicional Estela Vera e luta pela proteção às lideranças ameaçadas de morte promovidas, que de acordo com a associação vem de grupos dos arrendatários do Yvy Katu.

“Mais uma vez, retornamos a fazer denúncias de arrendamento ilegal de terra indígena no território Yvy Katu, onde ocorreu assassinato de Estela Vera. Pedimos JUSTIÇA e investigação federal séria do assassinato ocorrido. JUSTIÇA!”, diz a nota da  Aty Guasu.

O assassinato de Estela Verá foi registrado como feminicídio e é investigado pela Polícia Civil do Estado do MS. A Revista Afirmativa buscou a Polícia Civil do estado para obter mais detalhes sobre o crime, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria.