O Babalorixá João Marcelo Nobre relata que os ataques acontecem cinco anos após uma sequência de invasões que ocorreram entre os anos de 2018 e 2019

Por Patrícia Rosa

O Terreiro  Ilê Asè Airá Tolami, na cidade de Dias D’Ávila (BA), foi vítima de um arrombamento, depredação e furto. O crime aconteceu na madrugada do último  sábado (10). Os integrantes da casa ao retornaram  para uma ação religiosa encontraram todo o estrago deixado pelos criminosos. O terreiro teve portas arrombadas, grades retorcidas, janelas quebradas, roupas reviradas, além do roubo de  eletrodomésticos,  botijão de gás,  alimentos e invasão de espaços sagrados.

“Os criminosos envolvidos nesse caso escolheram invadir, principalmente, os espaços mais sagrados, como casas de santo, roncó e barracão. Também invadiram a casa onde guardamos objetos pessoais. Mas, estranhamente  não levaram os itens de maior valor. Já sabemos que não foi um furto qualquer, isso tem nome: racismo religioso”, diz um trecho da denúncia publicada nas redes sociais do terreiro. 

João Marcelo Nobre, de 40 anos, é Babalorixá  do Ilê Asè Airá Tolami, ele falou sobre as perseguições cotidianas que a casa sofre de parte da  vizinhança, que tem muita gente evangélica. O líder religioso ainda falou que aumentaram o muro da propriedade para garantir a segurança, o que não inibiu a ação dos criminosos.

A polícia foi acionada e o caso foi registrado na 25ª Delegacia Territorial de Dias D’Ávila. O terreiro lançou uma campanha de financiamento coletivo, para reerguer a casa que foi depredada:

“Após o ataque que sofremos  tivemos diversos prejuízos na estrutura do nosso axé, em razão de sermos uma família pequena não conseguimos custear tudo, restringindo a ajuda aos filhos da casa.”

Para ajudar ao Ilê Asè Airá Tolami clique no link.

Não é a primeira vez que o Ilê Asè Airá Tolami sofre ataques

O Babalorixá  fala que não é a primeira vez que o terreiro sofre com as invasões e assaltos. No intervalo de um ano, entre 2018 e 2019, o terreiro sofreu dez ataques de criminosos: “Já sofremos esse processo de invasão há cinco anos atrás, fizemos uma campanha com a Polícia Militar de Dias D’Ávila que pegou essas pessoas que fizeram esse ato de vandalismo. Cinco anos depois vem acontecer isso de novo”, desabafa João Marcelo.

A advogada e candomblecista Camila Garcez, é filha da casa, ela declarou que os crimes da época foram formalizados por meio de notícia-crime na delegacia. “Nós recebemos  um e-mail da Promotoria de Justiça  na época , indeferindo o caso, pois não via relação do fato com intolerância religiosa e  procedeu o arquivamento do caso”, explicou a membra da Comissão especial de combate à intolerância religiosa da OAB-BA.

Camila fala  das dificuldades no acesso ao sistema de justiça. “A gente brigava pra não perder a fé nas instâncias formais de poder, mas sabemos que as vítimas de racismo religioso passam por um processo que é revitimizado e é perpetuado pelo próprio sistema de justiça”, diz a advogada.
A religiosa cobra ação da Prefeitura de Dias D’Ávila, no auxílio na infraestrutura  da área onde fica o terreiro. “É só barro e mato, não tem calçamento, não tem coleta seletiva e  isso também propicia a entrada de ladrões. Já abrimos várias reclamações, na ouvidoria da cidade. Nós temos  várias reclamações abertas e nunca deram solução”, finaliza a filha do  Ilê Asè Airá Tolami.