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Terreiro de Candomblé sofre depredação e incineração de artigos sagrados na Bahia

Ataques ao Ilê Yabotô Axé Omí Lejikan expõem padrão nacional de violência contra religiões de matriz africana
Imagem: Reprodução Redes Sociais

Texto: Karla Souza

O terreiro de candomblé Ilê Yabotô Axé Omí Lejikan, situado no Formigão, em Alagoinhas (BA), foi alvo de vandalismo na última segunda-feira, 02 de fevereiro, dia dedicado a orixá Iemanjá. Numa data importante para as religiões de matriz africana, a comunidade viveu mais um episódio de violência. Esta é a segunda ocorrência registrada no local em menos de 15 dias. Segundo o babalorixá Lucas Andrade, responsável pela casa, o primeiro ataque ocorreu em 23 de janeiro, sem que os responsáveis tenham sido identificados até o momento.

De acordo com comunicado divulgado pelo terreiro, peças sagradas foram destruídas e queimadas, e objetos obscenos foram deixados no espaço. Para a comunidade de axé, as ações ultrapassam o dano material e atingem diretamente a liberdade religiosa. “Não podemos deixar passar atitudes como estas, que são a demonstração mais evidente da intolerância religiosa que, infelizmente, ainda persiste em nossa sociedade”, afirmou o babalorixá ao G1.

Ainda segundo ele, integrantes do terreiro estiveram no local no sábado (30), para atividades rotineiras e não identificaram novos danos naquela data. A ausência de câmeras de monitoramento na área tem dificultado a identificação do autor. Um boletim de ocorrência foi registrado na 1ª Delegacia Territorial de Alagoinhas, e a denúncia também foi encaminhada ao Centro de Referência de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa Nelson Mandela, órgão vinculado à Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais da Bahia.

Em nota, a Polícia Civil informou que a 1ª Delegacia Territorial investiga a denúncia de intolerância religiosa. Conforme o registro, o local teria sido danificado por um homem, e diligências e oitivas estão em andamento para o esclarecimento dos fatos e eventual responsabilização. A Secretaria de Justiça e Direitos Humanos do estado confirmou que acompanha o caso por meio do Centro de Referência Nelson Mandela.

A Prefeitura de Alagoinhas divulgou nota de repúdio, na qual reconhece a violência contra povos de terreiro como expressão do racismo religioso. O texto afirma que atacar um terreiro representa um ataque à memória, à identidade e à resistência negra, além de reafirmar que intolerância religiosa é crime. O Ilê Yabotô Axé Omí Lejikan informou ainda que conta com o apoio da Federação Nacional do Culto Afro-brasileiro, que tem articulado o acompanhamento institucional do caso.

Os ataques ao terreiro em Alagoinhas se inserem em um cenário mais amplo de racismo religioso no Brasil. Dados do Disque Direitos Humanos, canal do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, indicam que entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026 foram registradas 2.774 denúncias de intolerância religiosa, número superior ao de 2024. As religiões de matriz africana concentram parte expressiva dos registros, com destaque para Umbanda e Candomblé, e a Bahia aparece como quarto estado com maior número de denúncias.

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