A instituição religiosa não foi consultada antes da divulgação do tema: “Não sabemos como nossa história será contada, se nada nos foi perguntado”

Por Patrícia Rosa

Imagem: Turismo Bahia

 A Escola de Samba carioca, Unidos de Padre Miguel, anunciou na última segunda-feira(18), o cancelamento do enredo do carnaval 2023, “Ave Maria Olorum – A Corte da Boa Morte”, o tema seria uma homenagem à história da Irmandade da Boa Morte. A Confraria centenária, formada por mulheres negras, negou a homenagem, tendo em vista que a divulgação do tema foi feita antes de ser comunicado às integrantes da irmandade.

“Reiteramos  o nosso intuito e a seriedade do nosso trabalho, em respeito à irmandade e por entendermos que não faria sentido seguir com o projeto sem sua “benção”, a diretoria da Unidos de Padre Miguel optou por cancelar o enredo”. A agremiação declarou que teve falta de cuidado  na divulgação da notícia, “acabou por interferir na boa relação que vinha sendo construída à distância com as representantes da irmandade”. 

A Unidos de Padre Miguel ainda afirmou que a prefeita  de Cachoeira, Eliana Gonzaga (Republicanos), aprovou a homenagem e se colocou à disposição para levar, o então enredo, as matriarcas da Instituição Religiosa. Com relação ao enredo proposto pelos carnavalescos, foi declarado que o contexto não seria seria biográfico, e que era parte do contexto narrativo do tema: “retomaríamos o matriarcado ancestral, potencializando e exaltando as mulheres negras ex-escravizadas que ascenderam socialmente, inseriram o negro na sociedade baiana e assimilaram as práticas africanas milenares à religiosidade brasileira”.

Um novo tema será divulgado pela escola, nas próximas semanas.

Com falta de uma confirmação prévia, a confraria religiosa recusa convite da escola carioca

A divulgação foi feita no último dia 06 de julho, uma surpresa até para a Irmandade da Nossa Senhora da Boa Morte, que tem mais de 200 anos de existência. A confraria declarou através de nota, que não foi consultada  nem informada antes das divulgações. “Não sabemos como nossa história será contada, se nada nos foi perguntado, sem a devida proteção às nossas tradições não há possibilidade de consentirmos”, declarou a Irmandade.

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