Acadêmicos do país apontam que a mídia mundial não repercutiu o caso, como aconteceu há dois anos quando a Catedral de Notre-Dame, em Paris

Por Andressa Franco

Imagem: NIC BOTHMA / EFE

A Biblioteca Jagger, situada na Universidade da Cidade do Cabo (UCT), África do Sul, teve seu acervo reduzido a cinzas. O acervo incluía cerca de 85 mil livros sobre a história da África, estudos da época do ‘apartheid’, teses de doutorado, pinturas indígenas da flora e fauna do século XIX.

As chamas que atingiram a biblioteca se devem a um incêndio florestal que começou último domingo (18) na Table Mountain, extremo sul da África do Sul. Aos poucos o fogo acabou alcançando a cidade e chegando à Universidade da Cidade do Cabo, fundada em 1829. Um homem foi detido perto do local do incêndio por suspeita de envolvimento e, de acordo com Jean-Pierre Smith, membro do Conselho Municipal da Cidade do Cabo responsável pela Segurança, teria confessado ser o responsável por provocar o incêndio. Um inquérito criminal será aberto para investigar o caso.

Em entrevista à Reuters, a diretora executiva da biblioteca, Ujala Satgoot, disse sentir uma tristeza muito profunda porque “algumas coisas são insubstituíveis”, e classificou a perda como “devastadora”. Apesar de ter sido a área mais afetada da universidade, as perdas ainda não foram avaliadas, o que vai acontecer na próxima terça-feira (27), quando as autoridades locais e as da universidade, além de realizar a avaliação, pretendem dar início a um plano de reconstrução.

Acadêmicos do país observaram que a mídia mundial não repercutiu o caso como aconteceu há dois anos quando a Catedral de Notre-Dame, em Paris, também sofreu com um incêndio, ou como quando os incêndios florestais na Califórnia tomaram conta dos noticiários no ano passado.

Um grupo de acadêmicos, entre eles alguns que já fizeram uso da coleção da biblioteca para estudos e pesquisas, deu início a uma campanha para recuperar qualquer registro de materiais da UCT que possam ter guardado, como fotocópias ou fotografias.