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MP-BA pede arquivamento do inquérito sobre assassinato de Binho do Quilombo

Família contesta decisão e estuda federalização das investigações
Imagem: Divulgação

Por Luana Miranda

Uma semana após o adiamento do julgamento dos acusados pelo assassinato de Mãe Bernadete Pacífico, o Ministério Público da Bahia (MP-BA) pede arquivamento do inquérito que investiga a execução do filho da ialorixá, Flávio Gabriel Pacífico dos Santos, conhecido como Binho do Quilombo. Segundo o órgão, a medida foi solicitada após a polícia concluir as diligências e não identificar os possíveis responsáveis pelo crime.

De acordo com o MP-BA, não existem elementos para identificar a autoria do crime, o que impossibilita a formalização da acusação (oferecimento de denúncia). Essa informação é contestada pela família que afirma que o pedido de arquivamento foi recebido com “profunda tristeza, indignação e um sentimento de injustiça”, declarou Jurandir Pacífico, liderança quilombola, irmão de Binho Pacífico e filho de Mãe Bernadete Pacífico.

Ainda segundo a família da vítima, existem elementos concretos, registros, depoimentos e indícios que apresentam informações sobre o crime e que podem embasar um maior aprofundamento das investigações. Três meses após o assassinato de Binho, os familiares disponibilizaram para a Polícia Civil vídeos e fotos de um carro (com identificação da placa) que teria sido usado pelos assassinos no dia da morte de Binho.

“O que houve foi imprudência nas investigações. Binho do Quilombo era uma liderança comprometida com a comunidade, com a defesa do território, com os direitos humanos dos povos quilombolas. E o encerramento deste inquérito interrompe uma busca legítima por verdade e responsabilização, deixando lacunas que continuam a gerar dor e insegurança para a família e  para as comunidades quilombolas da Bahia”, afirmou Jurandir Pacífico.

Frente à ação do MP-BA, o advogado da família, Dr. Hedio Silva Jr., afirmou ao Portal Alma Preta que a defesa estuda a possibilidade de transferência do caso para a Justiça Federal. Com esse movimento, busca-se que a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e a Justiça Federal passem a atuar no caso, evitando possíveis omissões, influências indevidas ou falhas das instituições estatais.

Binho do Quilombo tinha 36 anos quando foi assassinado dentro do próprio carro, com 12 disparos de arma de fogo, em 2017. O crime ocorreu após o líder quilombola denunciar os impactos negativos da instalação de um empreendimento na comunidade. O assassinato de Binho deu início a um ciclo de violências, ainda sem resposta da Justiça baiana, vivenciada pela comunidade Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho (BA). 

Seis anos depois da execução de Binho, a sua mãe, Maria Bernadete Pacífico Moreira, foi morta com 22 tiros, após dar continuidade ao ativismo contra a exploração ilegal do território e atuar contra o avanço do trafíco de drogas na região. 

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