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Nordeste lidera registros de violência doméstica, e as mulheres negras são as principais vítimas de feminicídio no país

Sequência de pesquisas divulgadas em março mostra crise profunda na garantia de proteção às mulheres no Brasil
Imagem: Freepik

Por Matheus Souza

Uma sequência de pesquisas divulgadas no início de março mostram como o sexismo e racismo sistemáticos, aliados à uma segurança pública precária, criam um cenário alarmante onde a vida de mulheres, principalmente racializadas e moradoras da periferia, tem sido diariamente vitimizadas. 

Uma delas é o levantamento feito pela plataforma Escavador, onde o Nordeste aparece no topo da lista entre os estados com maior volume de processos relacionados à violência doméstica contra mulheres no Brasil em 2025. 

A região aparece na liderança com aproximadamente 24 mil casos registrados, seguidos pelo Norte do país, com cerca de 12 mil registros. Logo depois, aparecem o Sudeste, com 10 mil processos; o Centro-Oeste, com 7 mil processos, e a região Sul, com 788 registros.

No recorte por estados, a Bahia aparece na primeira posição do ranking nacional, com 9,8 mil processos. Na sequência estão Tocantins (8,6 mil), Espírito Santo (5,7 mil), Distrito Federal (4,3 mil) e Ceará (3,7 mil). A análise também indica uma média de 151 novos processos por dia ao longo do ano. 

Mulheres Negras

Outro estudo, “Retrato dos Feminicídios no Brasil”, realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e divulgado na última quarta-feira (4), aponta que mulheres negras são maioria entre as vítimas de feminicídio em todo o país. 

A análise dos 5.729 registros oficiais desse tipo de crime, ocorridos no período de 2021 a 2024, mostrou que 62,6% das vítimas eram negras e 36,8% eram brancas. Mulheres indígenas e amarelas somam, cada, 0,3% dos registros. 

O Instituto Sou da Paz também elaborou um relatório, divulgado na última segunda-feira (9), revelando que a violência armada foi o meio utilizado em 47% dos assassinatos de mulheres cometidos em 2024. Desses casos, 72,3% das vítimas eram negras.

A 5ª edição da pesquisa, intitulada “Pela Vida das Mulheres: o Papel da Arma de Fogo na Violência de Gênero”, aponta que mesmo que as mortes de mulheres por arma de fogo tenham tido uma redução de 12% em um período de quatro anos, os feminicídios apresentaram um salto de 10%. 

Entre as vítimas não letais, foram registrados 327,7 mil notificações de violência interpessoal contra mulheres. A violência física e o emprego de força corporal (espancamento) são os principais tipos de agressão notificados.

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