Por Jamile Novaes*
Cinco anos após a morte do menino Ryan Andrew Pereira Tourinho Nascimento, de 9 anos, o caso ainda segue na fase de instrução na Justiça da Bahia – etapa em que são realizadas audiências para ouvir testemunhas e reunir provas. Denunciado como homicídio qualificado pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA), o processo cita como réu Luan Damasceno Santos de Oliveira, conforme informações extraídas da plataforma Escavador** pela Revista Afirmativa.
A primeira audiência de instrução do processo foi realizada em maio de 2025, e a segunda, inicialmente prevista para setembro do mesmo ano, acabou adiada para 28 de janeiro de 2026. Apesar do comparecimento do réu, a remarcação ocorreu em razão do falecimento de Daniel Keller, advogado de defesa de Luan. A próxima audiência do caso está marcada para 7 de abril de 2026.
O Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) foi procurado pela Revista Afirmativa para prestar informações atualizadas sobre o caso, mas, até o momento do fechamento deste texto, a solicitação não foi respondida.
Relembre o caso
Ryan Andrew foi morto com um tiro em 26 de março de 2021, durante ação da Polícia Militar da Bahia (PM-BA) na localidade do Vale das Pedrinhas, comunidade que compõe o Complexo do Nordeste de Amaralina, em Salvador (BA). Por volta das 20h40, enquanto lanchava com outras crianças do bairro, o menino foi atingido por um disparo que atravessou seu braço e alcançou o pulmão. Segundo testemunhas, mesmo ferido, Ryan ainda tentou buscar ajuda na casa de uma vizinha, que acionou policiais para prestar socorro.
“Eles [os policiais] pegaram meu filho parecendo um lixo, jogaram atrás do camburão e disseram que não era para sujar a farda deles”, declarou Cássia Pereira, mãe de Ryan, em entrevista ao G1 Bahia. O menino foi levado ao Hospital Geral do Estado (HGE), mas não resistiu aos ferimentos.
Embora a PM tenha afirmado que agentes da 40ª Companhia Independente foram recebidos a tiros durante patrulhamento na localidade, moradores contestaram a versão e denunciaram que não houve confronto, e que os policiais já chegaram efetuando disparos. Ainda em 2021, a Polícia Civil realizou um procedimento de reconstituição da morte de Ryan no local onde tudo aconteceu. Na ocasião, ao menos quatro dos dez policiais militares envolvidos na ação foram reconhecidos por uma tia do garoto.
*Com informações de G1 e Correio
*A plataforma acessa informações processuais públicas, coletadas diretamente de fontes oficiais do Poder Judiciário, como os sistemas dos tribunais e Diários Oficiais


