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Jovem negro é absolvido pela Justiça depois de cinco anos respondendo por roubo em Salvador (BA)

Luan Bruno chegou a ficar preso por quase cinco meses e declarou ter sido espancado por agentes da polícia para confessar um crime que não cometeu
Imagem: Reprodução/Correio

Por Jamile Novaes*

Depois de cinco anos respondendo a uma acusação de roubo, Luan Bruno Barbosa Lopes foi absolvido pela Justiça da Bahia. De acordo com a decisão, proferida a pedido do Ministério Público da Bahia (MP-BA), não há provas o suficiente para relacionar o jovem ao assalto cometido contra clientes de um restaurante no bairro do Rio Vermelho, em Salvador (BA), em setembro de 2021.

Na época, Luan foi preso na barbearia onde trabalhava, sob a alegação de integrar o grupo que praticou o crime. Ele ficou detido por quase cinco meses e sua família denunciou que o jovem teria sido espancado por agentes da polícia para confessar o roubo. Gerson da Silva Lopes, pai de Luan, em entrevista ao Correio, ainda em 2021, também afirmou ter sido intimidado e ameaçado por um agente quando tentou defender o filho. 

“Esse agente queria que eu confirmasse que Luan tinha participado do assalto, quando não foi o que aconteceu. Disse também que eu estava fabricando vagabundo e até que quem deveria ter apanhado era eu e não Luan”, contou Gerson.

Durante os depoimentos prestados para processo, as próprias vítimas não reconheceram o barbeiro como um dos homens envolvidos no assalto. E, embora alguns dos objetos roubados tenham sido encontrados na barbearia onde ele trabalhava, um dos acusados declarou que Luan não tinha conhecimento sobre a origem dos aparelhos.

Ainda segundo informações do Correio, em entrevista após a absolvição, o jovem contou que o trauma da prisão injusta fez com que ele se mudasse para o interior da Bahia e abandonasse o ofício de barbeiro. Ele descreveu ainda os momentos de pânico que vivenciou sob a custódia da polícia para assumir a participação no crime. 

“Botaram uma sacola na minha cabeça, teve ameaça, martelo, jogaram álcool no meu rosto. Eles só queriam que eu assumisse o crime, mesmo eu dizendo que não tinha feito nada”, relatou o jovem, que tinha 23 anos na época do ocorrido. Após a decisão, Luan declarou que se sente livre e aliviado por finalmente “limpar” seu nome.

De acordo com um levantamento realizado pela Folha de S. Paulo em 2021, 71% dos reconhecimentos errados de pessoas encarceradas no Brasil incriminam negros e pobres. Nos 12 meses que precederam a publicação da pesquisa, 100 pessoas presas injustamente foram entrevistadas, sendo 42 vítimas afirmando indução das autoridades no apontamento do suspeito escolhido. Muitas delas tiveram suas vidas interrompidas por até 20 anos, sem reconhecimento oficial de erros ou pedido de desculpas, segundo o estudo.

Os dados mostram ainda que pessoas negras representam 60% do total de inocentes presos analisados. Quando considerados especificamente os episódios de reconhecimento falho e prisões indevidas, essa proporção sobe para 71%. Um dos padrões de falhas observados pelo estudo, são justamente as prisões baseadas apenas nas palavras de policiais e sem investigação.

*Com informações do jornal Correio

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