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Polícia Militar de São Paulo publica despacho que aposenta o tenente-coronel acusado feminicídio

O oficial está preso preventivamente e responde por feminicídio e fraude processual pela morte de Gisele Alves Santana
Imagem: Reprodução

Por Patrícia Rosa*

A Polícia Militar de São Paulo publicou, na última terça-feira (9), um despacho que oficializa a transferência para a reserva do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto. O policial está preso pelo feminicídio da também policial e esposa Gisele Alves Santana, morta em fevereiro deste ano.

O decreto foi assinado pelo diretor de Inatividade e Pensão Militar, coronel Antonio Thomazelli Júnior. Com a transferência para a reserva, o tenente-coronel passa a receber os proventos de inatividade pela São Paulo Previdência (SPPrev), ou seja, a remuneração paga a militares aposentados pelo Estado. De acordo com a apuração da CNN Brasil, a aposentadoria é de R$ 27,4 mil.

Segundo informações divulgadas pela Agência Brasil, a defesa da família da soldado Gisele, representada pelo advogado Miguel José da Silva Júnior, declarou que a celeridade em aposentar o policial lhe causou espanto. Para ele, a decisão confere privilégios ao réu.

“Essa aposentadoria não vai barrar o Conselho de Justificação, que vai demiti-lo. Nós temos convicção disso. Por outro lado, não é justo que esse cidadão, que cometeu um crime tão bárbaro, continue recebendo valores à custa da população e, inclusive, dos pais da Gisele, que pagam seus tributos”, afirmou o advogado.

A Polícia Militar declarou que a transferência do oficial “ocorreu em conformidade com a legislação vigente e não impede eventual responsabilização penal ou disciplinar”.

Relembre o caso

Gisele Alves Santana, policial militar de 32 anos, foi encontrada morta com um tiro na cabeça dentro do apartamento onde morava, no dia 18 de fevereiro de 2025, em São Paulo (SP). Em depoimento à Polícia Militar, Geraldo afirmou que a policial teria cometido uma tentativa de suicídio e que a encontrou caída no chão, com uma arma na mão. 

A investigação da Polícia Técnico-Científica, no entanto, contrapôs essa versão. No dia 18 de março do ano passado, Geraldo Leite Rosa Neto foi preso pela Corregedoria da Polícia Militar de São José dos Campos (SP), após a Polícia Civil investigar o caso e indiciar o coronel por feminicídio e fraude processual, por alteração da cena do crime.

*Com informações da Agência Brasil

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