Por Catiane Pereira*
Uma mulher de 45 anos foi presa pela Polícia Civil da Bahia, na manhã desta segunda-feira (6), acusada de cometer um ataque de racismo religioso contra o terreiro de candomblé Nzo Mutá Lombô Ye Kayongo Toma Kwiza, localizado no bairro de Cajazeiras XI, em Salvador (BA). A prisão foi realizada no bairro da Pituba, onde também foi cumprido um mandado de busca e apreensão.
A investigada responde pelos crimes de racismo religioso e dano qualificado. Segundo a Polícia Civil, a medida é resultado das investigações sobre o ataque ocorrido em janeiro deste ano, quando a fachada e o portão de entrada do terreiro foram pichados com inscrições discriminatórias. Entre as mensagens escritas com tinta vermelha estavam as palavras “Jesus” e “assassinos”. O portão de pedestres, o interfone e a caixa de correio do espaço religioso também foram cobertos pela tinta.
As investigações, conduzidas pela Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa (Decrin), apontam que a identificação da suspeita foi possível após a análise de imagens de videomonitoramento e da coleta de outras provas, que fundamentaram o pedido de prisão preventiva e de busca e apreensão.
Durante a operação, os policiais apreenderam dois celulares, um notebook e agendas. Os equipamentos passarão por perícia e poderão contribuir para o aprofundamento das investigações. Após ser submetida aos exames legais, a mulher permaneceu à disposição da Justiça. A identidade da mulher não foi divulgada.
Terreiro atua há 33 anos na comunidade
O ataque teve como alvo o Nzo Mutá Lombô Ye Kayongo Toma Kwiza, terreiro que desenvolve atividades religiosas e ações sociais em Cajazeiras XI há 33 anos.
Segundo o jornal Correio, na ocasião o babalorixá Pai Mutá informou que uma filha de santo encontrou as pichações nas primeiras horas da manhã, ao chegar ao local. Segundo ele, foi a primeira vez que o terreiro sofreu um ataque dessa natureza.
O líder religioso destacou ainda que a casa mantém uma relação respeitosa com os moradores do bairro e realiza trabalhos voltados à comunidade. Ainda segundo o portal, após o episódio o terreiro divulgou uma nota pública afirmando que continuaria buscando responsabilização pelo crime.
“Nossa fé resiste. Nosso sagrado não será silenciado. Buscaremos por Justiça”, declarou a comunidade religiosa.
O caso motivou manifestações de repúdio de entidades públicas. Em janeiro, a Fundação Cultural Palmares classificou o episódio como uma grave violação da liberdade religiosa e ressaltou que ataques contra terreiros de religiões de matriz africana não podem ser tratados como casos isolados ou simples atos de depredação.
Em nota, a fundação afirmou que comunidades tradicionais de terreiro têm o direito constitucional de exercer sua fé com segurança, dignidade e respeito, além de defender a investigação dos responsáveis e a adoção de políticas públicas voltadas à proteção dos espaços sagrados.
*Com informações de Jornal Correio e Alma Preta


