Por Catiane Pereira*
A Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) será formada exclusivamente por homens entre 2027 e 2030. O resultado das eleições de 2026 deixou o estado como o único do país sem nenhuma mulher entre os 24 deputados estaduais eleitos para a próxima legislatura. O cenário ocorre em um estado onde as mulheres são maioria do eleitorado e que registrou, em 2025, a maior taxa de feminicídio do Brasil.
A partir de 2027, nenhuma mulher ocupará uma das 24 cadeiras da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac). O resultado das eleições de 2026 fez do estado o único do país sem representação feminina no Legislativo estadual durante a próxima legislatura. Das 138 mulheres que disputaram as eleições no Acre, 86 eram candidatas a uma vaga na Aleac.
A ausência feminina na composição da Casa também significa o fim do mandato das três deputadas que atualmente ocupam cadeiras no Legislativo acreano. Michelle Melo (União), Antônia Sales (MDB) e Maria Antônia (PRD) tentaram a reeleição, mas não conseguiram retornar à Assembleia.
O resultado chama atenção também porque as mulheres representam a maioria do eleitorado do estado. Nas eleições de 2026, elas correspondiam a 52% dos eleitores acreanos, enquanto os homens representavam 48%.
A ausência de mulheres na Aleac não é inédita. Em 1994, nenhuma candidata foi eleita para o Legislativo estadual. Naquela ocasião, a representação feminina retornou na eleição seguinte, em 1998, quando duas mulheres conquistaram cadeiras. Agora, o resultado de 2026 repete o cenário de 1994 e marca a segunda eleição, desde a chegada das primeiras deputadas estaduais ao Acre, em 1978, sem nenhuma mulher eleita.
Histórico da Aleac
A Assembleia Legislativa do Acre foi criada em 1962 e passou os primeiros anos sem mulheres entre os parlamentares. Dezesseis anos depois, em 1978, Iolanda Fleming, Railda Pereira da Silva e Mirian Pinho Pascoal foram eleitas e se tornaram as primeiras mulheres a ocupar cadeiras na Casa.
Desde então, a participação feminina oscilou entre as diferentes legislaturas. Foram três mulheres eleitas em 1978 e 1982, uma em 1986, duas em 1990, nenhuma em 1994, duas em 1998 e 2002 e cinco em 2006. Nas eleições de 2010, 2014 e 2018, quatro mulheres foram eleitas em cada pleito. Em 2022, foram três. Ao longo de 48 anos, 18 mulheres foram eleitas para a Assembleia Legislativa do Acre.
Violência contra mulheres
A ausência de mulheres em espaços de decisão política ocorre em um contexto de violência de gênero no estado. Dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), apontam que o Acre registrou, em 2025, a maior taxa de feminicídio do país, com 3,2 vítimas por 100 mil mulheres. O estado teve 14 vítimas, contra oito em 2024, um aumento de 74,3%.
O levantamento mostra ainda que, em 2025, 66,7% dos homicídios de mulheres registrados no Acre foram classificados como feminicídio, proporção superior à média nacional, de 44,4%. Os registros de outras formas de violência contra mulheres também cresceram no estado. Os casos de lesão corporal dolosa em contexto de violência doméstica passaram de 1.422, em 2024, para 1.729, em 2025, um aumento de 21,1%. Já os registros de ameaça contra mulheres cresceram 68,2%, passando de 2.590 para 4.375 ocorrências.
É nesse cenário que o Acre iniciará uma nova legislatura sem nenhuma mulher entre os parlamentares estaduais. A composição eleita em 2026 terá 16 deputados reeleitos e oito novos parlamentares, todos homens.
*Com informações do G1 e da Metrópoles


