Por Catiane Pereira*
A deputada federal eleita por Minas Gerais Ana Elisa (PT), de 21 anos, denunciou à Polícia Civil ameaças de morte, estupro e ataques racistas e misóginos recebidos durante a campanha eleitoral. Em uma das mensagens, enviada por e-mail no dia 5 de setembro, o autor afirmou integrar a Ku Klux Klan, grupo supremacista branco, e declarou não tolerar mulheres negras em espaços de poder.
O conteúdo também mencionava dados pessoais da parlamentar e afirmava que o autor sabia como localizá-la. Além de ameaçar Ana Elisa, a mensagem fazia ameaças à família dela. O remetente ainda descreveu situações de violência sexual que pretendia cometer contra a deputada eleita.
Em trecho divulgado nas redes sociais pela deputada eleita, o autor afirma que pessoas como ele não tolerariam mulheres negras que ocupassem espaços de representação política. “Você deveria saber por agora que nós não apenas toleramos mulheres pretas que acham que podem representar “o povo” (…) Nós os desprezamos. E especificamente, nós desprezam [sic] você”, diz trecho da mensagem.
Após receber o conteúdo, a parlamentar denunciou o caso às autoridades. A Polícia Civil investiga as ameaças. Por questões de segurança, parte da mensagem divulgada nas redes sociais foi ocultada.
No mesmo post, a equipe da deputada eleita também classificou o episódio como uma forma de violência política contra uma mulher negra, afirmando que ameaças com o objetivo de intimidar uma candidata e afastá-la da disputa eleitoral não podem ser tratadas como opinião ou parte do debate político.
Ana Elisa também se manifestou sobre o episódio em outra publicação. “Almejo pelo dia em que seremos verdadeiramente livres. Nem meus ancestrais e nem eu escapamos do medo da morte matada”, escreveu.
Nova onda de ameaças
Nesta quinta-feira (8), Ana Elisa voltou a relatar ataques nas redes sociais. Segundo a deputada eleita, uma nova sequência de ameaças de morte e estupro fez com que sua equipe desativasse sua conta no X, antigo Twitter.
“A minha equipe desativou a minha conta no Twitter porque nós estávamos recebendo ameaça de morte a cada dois minutos. Ameaça de morte e ameaça de estupro”, afirmou em vídeo publicado nos stories do Instagram.
Ana Elisa disse ainda estar preocupada com a própria segurança. “Eu estou totalmente vulnerável. Eu, por enquanto, não tenho uma força-tarefa de segurança”, declarou.
A parlamentar atribuiu o aumento dos ataques à circulação de conteúdos falsos sobre ela. Segundo Ana Elisa, a onda mais recente de ameaças ocorreu após uma publicação do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que divulgou suposta postagem de Ana Elisa (PT-MG) pedindo ao presidente Lula (PT) para fechar igrejas em 2022. Ela afirma que o conteúdo se trata de uma fake news.
No vídeo, ela também citou a influência desses ataques por parte de Gleidson Azevedo (Republicanos) e Eduardo Azevedo (PL), ambos eleitos, respectivamente, para deputado federal e deputado estadual em Minas Gerais.
Violência política contra mulheres negras
Os ataques contra Ana Elisa ocorrem em um contexto de denúncias de violência política contra mulheres durante as eleições de 2026. No final de setembro, 48 organizações da sociedade civil entregaram ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um documento com relatos de violência contra mulheres candidatas, incluindo agressões físicas e verbais, ameaças de morte e violência sexual.
Dados do próprio TSE citados nos materiais enviados apontam crescimento da violência política de gênero entre 2022 e 2026.
Aos 21 anos, Ana Elisa recebeu 524.219 votos e foi eleita deputada federal por Minas Gerais. Ela foi a segunda candidata mais votada do estado para a Câmara dos Deputados, atrás de Nikolas Ferreira, e se tornou a mulher mais votada da história de Minas Gerais para o cargo.
Estudante de Direito, Ana Elisa ganhou projeção nas redes sociais produzindo conteúdos sobre política, direitos sociais, racismo, feminismo e educação.
*Com informações de Agência Brasil, Metrópoles e G1


