Por Jamile Novaes*
Durante a gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), uma pessoa é morta, em média, a cada 12 horas e 13 minutos em decorrência de intervenção policial no estado de São Paulo. Os dados são de um levantamento realizado pela Folha de São Paulo que analisou o período entre janeiro de 2023 e agosto de 2026. Os números levam em consideração as mortes causadas por policiais civis e militares em serviço e de folga.
As ocorrências contabilizadas na gestão do governador reeleito apontam uma frequência 70% maior que a registrada em 2022, durante o último ano de governo dos seus antecessores João Doria e Rodrigo Garcia, quando a média de tempo entre as mortes era de 20 horas e 48 minutos.
De acordo com Carolina Ricardo, do Instituto Sou da Paz, consultada pela Folha, a letalidade aumenta na medida em que políticas de gestão do uso da força policial, implantadas entre 2020 e 2022, são deixadas de lado pelo governo Tarcísio. “Em nome de enfrentar o crime organizado, o uso da força passou a ser bastante tolerado”, afirmou ao veículo.
Os números são ainda mais alarmantes quando a análise faz um recorte temporal referente aos anos de 2024 e 2025, quando Guilherme Derrite atuava como secretário de Segurança Pública do estado. Naqueles anos, a média de tempo entre as mortes causadas por intervenção da polícia chegou a 10h48min e 10h30min, respectivamente.
Derrite, recentemente eleito senador por São Paulo, é um oficial reformado da Polícia Militar que foi retirado do batalhão das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (ROTA) pelo excesso de mortes causadas em serviço. Em 2024, uma reportagem da Revista Piauí revelou que o então secretário já havia sido investigado por dezesseis homicídios.
*Com informações de Folha de São Paulo.


