Por Jamile Novaes
Na tarde do último sábado (24), uma abordagem policial no bairro de Santa Inês, em Belo Horizonte (MG), terminou com uma mulher de 61 anos agredida e conduzida à delegacia de forma truculenta. Ângela Maria de Souza foi atingida por cotoveladas pelo policial militar Samuel Martins Passos enquanto tentava intermediar uma ação policial contra seu filho.
Em entrevista à TV Globo, Ângela relatou que foi até o local depois de saber que policiais haviam derrubado seu filho durante a abordagem. O rapaz estava de bicicleta, indo comprar leite para o filho, de um ano e nove meses, quando foi parado pelos militares.
Segundo a mulher, ao chegar, ela pediu que os agentes não agredissem o rapaz, que havia passado por uma cirurgia. Durante a discussão, um dos policiais teria a chamado de “safada” e ordenado que se calasse. Ângela contou que, após se recusar a sair do local, passou a ser agredida.
A ocorrência, registrada em vídeo em frente a uma padaria, repercutiu nas redes sociais nos últimos dias. Nas imagens, Ângela aparece agarrada a um poste enquanto Samuel desfere cotoveladas contra ela, segura seu pescoço e a conduz com truculência até a viatura. Dois funcionários da padaria que presenciaram a cena também foram levados à delegacia. Os três foram ouvidos e liberados.
Segundo informações da Polícia Civil divulgadas pela TV Globo, foi lavrado um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) pelos crimes de desacato a funcionário público e favorecimento pessoal. A Polícia Militar informou que irá apurar o caso, mas alegou que a idosa teria resistido à prisão por suposto desacato, o que teria levado os agentes a utilizarem “técnicas de contenção” para conduzi-la.
“Eu não tô bem. Meu emocional não tá bem. Eu não tô comendo direito, não tô dormindo, [estou] vivendo de remédio”, contou Ângela, em entrevista à TV Globo. Ela afirmou ainda que, desde o ocorrido, ainda não conseguiu voltar ao trabalho.
Policial é investigado por homicídio
O policial militar Samuel Martins Passos é um dos três agentes investigados pela morte de Victor Emanuel Ribeiro, em Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, em julho de 2022. A vítima foi baleada durante uma abordagem conduzida por Samuel e pelos policiais Breno Henriques Martins Duarte e Renato Rodrigues da Silva.
Segundo a versão dos agentes, os disparos teriam sido feitos em legítima defesa, após Victor supostamente atirar contra eles durante uma tentativa de abordagem ao veículo em que estava. Um inquérito policial militar foi instaurado para apurar o caso, mas, mesmo reconhecendo que os laudos periciais eram inconclusivos, a PM concluiu que não havia elementos suficientes para contestar a versão apresentada pelos policiais.
Em outubro daquele ano, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) apontou a possibilidade de o caso se tratar de homicídio doloso, quando há intenção de matar, e solicitou o encaminhamento do procedimento à Justiça comum. O caso passou pela Polícia Civil e pelo MPMG, mas não há informações sobre os desdobramentos da investigação.
*Com informações de G1 e BNews


