Embaixada do Brasil no Reino Unido chegou a comunicar aos irmãos de Dom Phillips a localização dos corpos do jornalista e do indigenista, mas depois ratificou a informação

Por Daiane Oliveira

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Na manhã desta segunda-feira (13) circulou a notícia de que o jornalista britânico Dom Phillips e o indigenista Bruno Pereira foram encontrados sem vida. No entanto, a Polícia Federal (PF), responsável pela investigação do desaparecimento, negou a existência de corpos.

Segundo a companheira do jornalista britânico Dom Phillips, Alessandra Sampaio, a família do jornalista foi informada da localização de dois corpos pela embaixada brasileira no Reino Unido. Ainda de acordo com ela, a embaixada britânica havia comunicado aos irmãos de Dom Phillips a localização dos corpos do jornalista e do indigenista, mas depois ratificou a informação.

Segundo a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), Bruno era “experiente e profundo conhecedor da região, pois foi Coordenador Regional da Funai de Atalaia do Norte por anos”, o que deixa o desaparecimento ainda mais misterioso.

Bombeiros acham objetos pessoais dos desaparecidos

No domingo (12), uma mochila, um notebook e um par de sandálias foram encontrados durante a busca pelo jornalista inglês Dom Phillips e indigenista Bruno Araújo Pereira, na região. O material foi encaminhado para perícia, que irá avaliar a existência de material genético da dupla.

De acordo com a PF foram encontrados ainda um cartão de saúde em nome de Bruno Pereira, uma calça preta, um chinelo preto, um par de botas também do indigenista, e um par de botas e uma mochila com roupas do jornalista britânico Dom Phillips.

Comissão Interamericana de Direitos Humanos decretando medida cautelar contra o Brasil por causa do desaparecimento

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) publicou resolução no sábado (11), decretando medida cautelar contra o Brasil por causa do desaparecimento do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips. A corte internacional solicita que o Brasil aumente os esforços para localizar a dupla e informe sobre as ações adotadas nessa busca em um prazo de sete dias.

A decisão da CIDH é favorável a uma ação protocolada na sexta-feira (10) pelas organizações Artigo 19, Instituto Vladimir Herzog, Repórteres sem Fronteira, Alianza Regional por la Libre Expresión e Información, Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Associação de Jornalismo Digital (Ajor), Tornavoz e Washington Brazil Office (WBO) que compreendem a gravidade do caso e a acusam de negligência o Estado brasileiro por não dar respostas sobre o desaparecimento.