Por Luana Miranda
O Brejo Bar, localizado no bairro do Flamengo, no Rio de Janeiro (RJ), sofreu um ataque lesbofóbico em evento dedicado ao Dia Nacional do Orgulho Lésbico. O caso aconteceu na quinta-feira passada (20), mas teve a ocorrência registrada na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), na última segunda-feira (24).
O crime aconteceu durante um sarau em que cerca de 70 pessoas estavam presentes. A maior parte do público era formada por mulheres lésbicas negras. Por volta das 22h, uma pessoa, até então não identificada, lançou uma substância química em direção ao estabelecimento. O produto provocou mal-estar, irritação nos olhos e gargantas, obrigando o público a deixar o ambiente. Além do produto químico, outras substâncias líquidas, em garrafas, foram arremessadas no bar, algumas aparentavam conter urina.
De acordo com informações divulgadas pelo Brasil de Fato (BdF), as proprietárias do estabelecimento, Vanessa Nascimento e Priscila Continentino, receberam assistência do Programa Estadual Rio Sem LGBTIfobia para prestar queixa sobre o ocorrido. No momento, a Polícia Civil investiga o caso.
Em depoimento ao BdF, Priscila Continentino comentou mais detalhes sobre o caso: “A gente é um bar em que a nossa equipe é 99% feminina. É muito grave pensar que, justamente essa identidade, pode transformar o nosso espaço num lugar alvo de violência”. O Brejo Bar é um empreendimento que tem se consolidado como um espaço para mulheres terem acesso a lazer, comunhão e cultura. Até então, um dos poucos ambientes da cidade que a comunidade lésbica pudesse acessar direitos básicos, sem medo.
Os dados disponibilizados pelo I LesboCenso Nacional revelaram que 78,61% das mulheres lésbicas no Brasil já sofreram algum tipo de lesbofobia. A pesquisa ouviu mais de 25 mil mulheres de todas as regiões do país, das quais 33,55% se identificam como negras.


