Babalorixá e iaôs sofrem racismo religioso em igreja católica de Salvador (BA)

Os candomblecistas foram mandados para fora da igreja pelo padre, sob a alegação de suposto desrespeito à religião católica

Por Karla Souza

O babalorixá Adriano Santos relatou ter sido alvo de racismo religioso durante uma visita à Igreja Nossa Senhora dos Mares, localizada no bairro dos Mares, em Salvador (BA). O crime, ocorrido na última sexta-feira (22) – data seguinte ao Dia Internacional da luta pela eliminação da Discriminação Racial -, está sendo investigado pela Polícia Civil por meio da Coordenação Especializada de Repressão aos Crimes de Intolerância e Discriminação (Coercid).

De acordo com o relato de Ronald Alagan nas redes sociais, candomblecista que acompanhava Adriano, o Babalorixá compareceu à igreja acompanhado de dois iaôs, filhos de santo em processo de iniciação no Candomblé, com o propósito de receber a bênção do padre, uma prática que algumas comunidades de terreiro adotam em virtude do sincretismo religioso.

Vestidos com indumentárias que refletiam suas raízes africanas, eles foram mandados para fora da igreja pelo padre, sob a alegação de suposto desrespeito à religião católica e de que não poderia haver dois cultos no local. “Respondi que não havia dois cultos, que os meninos estavam ali só para ver a missa. Como ali é uma casa de Deus, eu acho que ele não deveria colocar ninguém para fora”, disse o babalorixá.

Alagan relatou que a missa foi interrompida para que eles fossem retirados do local e anunciou sua intenção de buscar apoio do Ministério Público para relatar o ocorrido.

Em resposta às denúncias, o Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) enviou ofícios à liderança da Igreja Católica Nossa Senhora dos Mares, solicitando esclarecimentos, e à Polícia Civil, requerendo informações sobre o andamento da investigação policial em curso.

Em comunicado oficial, a Arquidiocese de Salvador destacou seu compromisso com o diálogo inter-religioso: “A Arquidiocese de São Salvador da Bahia tem valorizado e promovido o diálogo inter-religioso, contando com uma Comissão Arquidiocesana para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso, participando de iniciativas que visam a superação da intolerância religiosa e a convivência fraterna, respeitosa e pacífica entre os membros das diversas confissões religiosas (…) A respeito dos fatos veiculados pela mídia ocorridos na Igreja Nossa Senhora dos Mares, em Salvador, dia 22 de março, envolvendo o pároco, Pe. Manoel da Paixão Gomes do Prado, e alguns adeptos do Candomblé, a Arquidiocese está acompanhando atentamente, em vista da justa apuração do ocorrido.”

O padre Manoel da Paixão Gomes do Prado, publicou um vídeo nas redes sociais da arquidiocese negando as acusações. Ele afirmou ter solicitado respeito durante a celebração da Santa Missa e negou ter feito qualquer julgamento depreciativo dos praticantes do candomblé.

Leia também: 

Compartilhar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *