Por Patrícia Rosa

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A Justiça do Trabalho determinou que o casal,  Sari Corte Real e Sérgio Hacker Corte Real (PSB), ex-prefeito de Tamandaré (PE), paguem uma indenização por danos morais no valor de R$ 2,01 milhões de reais, a Mirtes Renata e Marta Santana, mãe e avó de Miguel Otávio. Ambas eram trabalhadoras domésticas na casa de Sari e Sérgio e  estavam em serviço durante o período de lockdown, durante a pandemia da Covid-19. 

A decisão foi tomada pelo juiz João Carlos de Andrade, do Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região, em 06 de setembro. A defesa dos ex-patrões afirmou ao portal G1 que vai entrar com um recurso contestando o valor determinado.

Caso Miguel

Miguel Otávio morreu em 2 de junho de 2020 ao cair do 9º andar do Condomínio Píer Maurício de Nassau, um condomínio de luxo, no Centro do Recife, em Pernambuco. A mãe de Miguel, Mirtes Santana, trabalhava como empregada doméstica na casa de Sari Corte Real, quando precisou passear com o cachorro da casa e deixou a criança aos cuidados da patroa.

Durante a audiência de instrução, em setembro de 2021, a denunciada por abandono de incapaz, tentou culpabilizar a criança, de acordo com informações de Rodrigo Almendra, advogado de Mirtes Renata. Sari alegou que tentou conversar com Miguel para que saísse do elevador, e que teria deixado o menino sozinho para voltar ao apartamento e cuidar da filha.

João Carlos de Andrade também concluiu que os empregadores assumiram o risco, ao permitir a presença de uma criança no ambiente de trabalho. “É nítido que a morte de Miguel decorreu diretamente dos atos ilícitos dos réus de permitirem a presença da criança no ambiente de trabalho e de não agirem da forma esperada na sua proteção”,  diz um trecho da decisão.

“Não vou dizer que estou feliz, nem de que estou triste, para mim é normal. Chegou essa notícia, que bom que a gente ganhou esse processo e poderia ser mais, pois esse povo só sente os seus atos, quando mexe no bolso”, declarou Mirtes em uma de suas redes sociais para explicar sobre a sentença.

A mãe de Miguel enfatizou ainda que seu foco é a ação penal e pede ao Tribunal de Justiça de Pernambuco agilidade no caso do processo da morte de seu filho. “É muito doloroso pra mim tudo isso, mais de um ano que saiu a sentença e ainda não foi resolvido o caso do meu filho. Para mim é muito doloroso, a acusada pela morte do meu filho tá solta, como se nada tivesse acontecido, vivendo a vida dela,  frequentando festas, fazendo faculdade de medicina,  a gente não pode aceitar isso. Ela é uma criminosa, ela foi sentenciada, em 8 anos 6  meses, e a gente quer que Sari seja presa, pois ela cometeu um crime”, declarou Mirtes. 

No âmbito criminal, a acusada Sari Corte Real, responde o processo em liberdade.