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Chacinas durante operações policiais marcam julho violento em Salvador (BA) e RMS

Levantamento do Instituto Fogo Cruzado aponta 118 tiroteios e 120 pessoas baleadas na região ao longo do mês 
Imagem: Reprodução PMBA

Texto: Divulgação

O mês de julho acabou e deixou a marca da violência por armas de fogo vivenciada pelos moradores de Salvador (BA) e região metropolitana. De acordo com dados levantados pelo Instituto Fogo Cruzado, durante o período, o território registrou ao menos 118 tiroteios. Como consequência, 120 pessoas foram baleadas: 93 morreram e 27 ficaram feridas.

Do total de ocorrências, 52% aconteceram durante operações policiais que deixaram 49 mortos e 12 feridos. Os principais episódios violentos do período foram as chacinas. Em julho, foram registradas seis, que ocorreram na capital baiana, nos bairros da Capelinha, Castelo Branco, Cosme de Farias, Barreiras, Nordeste de Amaralina e Beiru/Tancredo Neves. 

Todas elas ocorreram durante ações ou operações policiais, deixando 16 pessoas mortas. No mesmo mês de 2025, foram quatro chacinas, com 14 mortos. O número de chacinas cresceu 50% em um ano. Apesar da alta registrada em julho, o acumulado do ano apresenta redução no número total de chacinas. 

A diferença, porém, aparece na participação das ações policiais: neste ano, 19 das 20 chacinas registradas até agora ocorreram durante ações ou operações policiais, o equivalente a 95% dos casos. Em 2025, foram 16 chacinas em ações policiais entre as 24 registradas.

Outro ponto que chama atenção nos dados é que, embora haja registros de redução de 17% no número total de chacinas, o número de pessoas mortas durante as ações policiais permaneceu o mesmo: 65 vítimas nos dois períodos. Isso significa que, embora haja uma redução de chacinas, a quantidade de pessoas mortas segue aumentando. Em 2026, 65 das 68 pessoas mortas em chacinas foram vítimas de casos ocorridos durante ações ou operações policiais, o equivalente a 96% das mortes. Em 2025, foram 65 das 89 vítimas.

“Esses dados refletem uma concentração da letalidade em determinadas dinâmicas e territórios, e isso precisa ser considerado. Não podemos tratar como mera coincidência eventos com múltiplas mortes sempre nos mesmos CEPs”, afirma Tailane Muniz, coordenadora regional do Instituto Fogo Cruzado.

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