Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Júri absolve dois ex-policiais militares acusados de matar adolescente Guilherme Silva Guedes em São Paulo

O crime aconteceu em 2020. O jovem foi sequestrado na porta de casa e morto com dois tiros
Antônia Arcanjo, avó de Guilherme, em frente ao Fórum Criminal da Barra Funda | Imagem: Paulo Batistella/Ponte Jornalismo

Por Patrícia Rosa*

O Tribunal do Júri de São Paulo absolveu, nesta quarta-feira (12), dois ex-policiais militares acusados pelo assassinato do adolescente Guilherme Silva Guedes, de 15 anos, morto em 2020. Adriano Fernandes de Campos e Gilberto Eric Rodrigues foram acusados pela morte do garoto.

O julgamento durou dois dias e começou na última terça-feira (11), no Fórum Criminal da Barra Funda. Os jurados rejeitaram a acusação de que os dois réus foram os autores do crime. A promotoria havia defendido a condenação dos dois ex-PMs por homicídio triplamente qualificado, por motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.

Ex-policiais militares Gilberto Eric Rodrigues e Adriano Fernandes de Campos | Imagem: Reprodução A Ponte Jornalismo

Os jurados reconheceram que Guilherme foi vítima de homicídio, mas entenderam que a autoria não foi dos dois réus. Guilherme foi assassinado após ser sequestrado na porta de casa, na noite de 13 de junho de 2020. Ele foi encontrado no dia seguinte, na região de Diadema (SP), atingido por dois tiros à queima-roupa, na boca e na cabeça.

Três adolescentes relataram em um inquérito da Polícia Militar que viram o adolescente sendo colocado à força pelos acusados em um carro no dia do desaparecimento. Apesar disso, eles não foram ouvidos pela Polícia Civil nem durante o julgamento.

De acordo com informações do Ministério Público de São Paulo, na noite de 13 de junho, alguns jovens teriam entrado em um canteiro de obras. Os dois homens, que faziam parte da empresa de segurança responsável pelo local, saíram em busca dos suspeitos de invadir a obra e abordaram Guilherme, que havia saído de casa pouco tempo antes e não tinha relação com a invasão.

Conforme consta na denúncia, os réus teriam agido como milicianos ao sequestrar, torturar e executar o adolescente. No dia da morte, antes do sequestro, o jovem participava de um churrasco na casa da mãe. Por volta da meia-noite, deixou a confraternização em direção à casa da avó paterna. No caminho, segundo a investigação, foi abordado pelos dois homens.

O ex-policial Adriano Fernandes de Campos chegou a ser preso pelo crime em 17 de junho de 2020, mas foi absolvido em outubro de 2021. Na época, o Ministério Público recorreu, argumentando que a decisão era contrária às provas obtidas. O novo júri ocorreu nesta semana, após quatro adiamentos.

Gilberto Rodrigues ficou cerca de um ano foragido e foi preso em 2021. Na época do crime, ele não fazia mais parte da corporação. Segundo as informações apresentadas no processo, usava uma identidade falsa e havia fugido, em 2015, do Presídio Militar Romão Gomes. A Polícia Civil relacionava Gilberto à participação em cerca de 70 assassinatos.

Com o resultado, a tia do jovem, identificada como Andreza, desabafou ao Portal G1. “Quiseram pintar o Guilherme como traficante, mas ele nunca usou drogas e nem bebia. Também disseram que o delegado do DHPP, os investigadores, o policial da Corregedoria e as testemunhas estavam mentindo. A promotora mostrou as provas para os jurados, circulou com elas pelo plenário, e mesmo assim eles acolheram a versão apresentada pela defesa. Eu acho que foi uma injustiça.”

*Com informações da Ponte Jornalismo e do Portal G1

Compartilhar:

.

.
.
.
.