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Costa do Marfim e Senegal disputarão Copa do Mundo sem delegações oficiais de torcedores 

Restrições migratórias dos Estados Unidos impedem a emissão de vistos para torcedores de países africanos e levantam questionamentos sobre acesso e inclusão no maior evento do futebol mundial
Imagem: Foto à esquerda, torcida do Senegal, Copa do Mundo 2022 (Andersen/AFP) / Foto à direita, torcida Costa do Marfim, Copa do Mundo 2010 (Denis Balibouse/Reuters).

Por Catiane Pereira*

Pela primeira vez em suas histórias em Copas do Mundo, Costa do Marfim e Senegal disputarão o torneio sem o apoio de delegações oficiais de torcedores vindas de seus próprios países. As dificuldades para obtenção de vistos de entrada nos Estados Unidos, uma das sedes da competição de 2026, impediram a organização das tradicionais caravanas que costumam acompanhar as seleções africanas em grandes eventos internacionais.

A situação é resultado do endurecimento das políticas migratórias adotadas pelo governo do presidente Donald Trump, que ampliou restrições de viagem para dezenas de países. Entre eles estão Costa do Marfim e Senegal, submetidos a limitações parciais na concessão de vistos, além de Haiti e Irã, que enfrentam proibições mais severas.

O impacto das medidas já começou a ser sentido por torcedores e profissionais ligados ao futebol. Nesta semana, um árbitro da Somália convocado para atuar na Copa teve sua entrada nos Estados Unidos barrada, evidenciando que as restrições vão além do público que pretende acompanhar os jogos das arquibancadas.

Em comunicado divulgado nesta quinta-feira (11), o Comitê Nacional de Torcedores dos Elefantes (CNSE), responsável por organizar as viagens dos apoiadores da seleção marfinense, informou que não conseguiu viabilizar a ida de seus integrantes para o Mundial.

“Os torcedores desistiram de viajar porque os Estados Unidos não querem ver em seu território torcedores de certos países, como a Costa do Marfim”, afirmou Julien Kouadio Adonis, presidente da entidade. Segundo ele, autoridades norte-americanas deixaram claro que não pretendiam facilitar a entrada de cidadãos marfinenses para acompanhar a competição.

A organização, vinculada ao Ministério dos Esportes da Costa do Marfim, costuma enviar dezenas de torcedores para apoiar a seleção em competições internacionais. Foi assim nas participações do país nas Copas do Mundo de 2006, 2010 e 2014, além das edições da Copa Africana de Nações.

Desta vez, apenas um grupo reduzido de representantes do comitê recebeu autorização para viajar. A missão será prestar apoio aos marfinenses que já vivem nos Estados Unidos e que pretendem acompanhar os jogos da seleção durante o torneio.

Mesmo para esse contingente limitado, o processo foi marcado por obstáculos. “Obter vistos tem sido tudo, menos fácil. Foi preciso discutir e negociar para sermos ouvidos”, relatou Adonis.

As restrições também atingem Senegal, outra seleção africana já classificada para a Copa de 2026. Embora as regras não impeçam totalmente a emissão de vistos, elas tornam os processos mais rigorosos, ampliam as exigências burocráticas e reduzem a quantidade de autorizações concedidas.

A preocupação se estende ainda a jornalistas, trabalhadores temporários e demais profissionais que dependem de vistos de turismo ou negócios para entrar nos Estados Unidos durante a competição. Jogadores e integrantes das comissões técnicas, por sua vez, costumam solicitar vistos específicos para eventos esportivos, categoria que permanece contemplada por exceções previstas nas normas migratórias.

O tema chegou a mobilizar organismos internacionais. Nesta quarta-feira (10), a Organização das Nações Unidas pediu que os Estados Unidos revisem suas políticas migratórias durante a realização da Copa do Mundo. Horas depois, ao anunciar o aumento de recursos destinados à fiscalização da imigração, Trump defendeu as medidas e afirmou que seu governo está trabalhando para garantir que “as pessoas certas entrem” no país.

A ausência das tradicionais delegações de apoio de Costa do Marfim e Senegal evidencia como decisões migratórias podem influenciar a experiência de países africanos em competições globais. Em um torneio que se apresenta como celebração internacional do esporte, milhares de torcedores ficarão impedidos de acompanhar suas seleções presencialmente, mesmo após a classificação para o principal campeonato do futebol do mundo.

*Com informações de G1, Agência Brasil e O Globo

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