A mãe da vítima, que preferiu não se identificar, afirmou que os dois homens que cometeram o assassinato disseram ser policiais

Da Redação

Imagem: Reprodução/Sesab 

A mãe de Wellington Santos Piedade, 30 anos, morto a tiros dentro do Hospital Eládio Lasserre, no bairro de Cajazeiras, em Salvador, acusa policiais militares pelo crime. No domingo que celebrava o Dia das Mães, Wellington teria passado o dia com os familiares e foi baleado no pé ao sair para comprar bebidas no bairro de Águas Claras. Enquanto era atendido no hospital localizado no mesmo bairro em que foi alvejado, dois homens armados entraram na unidade e executaram a vítima.

Em entrevista à emissora do Grupo Aratu, a mãe, que não teve o nome informado, denunciou que Wellington foi assassinado por dois homens que seriam policiais. A mãe estava sentada em uma cadeira de rodas enquanto o filho passava pelo processo de triagem, quando foi surpreendida pelos homens que afirma serem policiais.

“Eu vi os ‘policial matar’ meu filho aí dentro. Eu vi com meus próprios olhos. Meu filho é trabalhador. Eu quero justiça. Ele matou o meu filho na minha frente”, disse a mãe.

Três policiais são mortos em Salvador durante o final de semana

Wellington Santos Piedade foi assassinado após uma onda de violência na região. Durante o final de semana, três policiais militares foram mortos e dois ficaram feridos na capital baiana. Na noite do domingo (8) na Fazenda Grande I, os agentes Vitor Vieira Ferreira Cruz e Shanderson Lopes Ferreira foram assassinados enquanto retornavam do enterro de um colega, identificado como Alexandre José Ferreira Menezes Silva, morto durante troca de tiros no sábado (7), em Águas Claras. O agente que estava com Alexandre José foi baleado de raspão e passa bem. Outro policial militar foi baleado na noite do domingo (8) após um tiroteio na região do Abaeté, localizado no bairro de Itapuã, também na capital baiana.

Após as mortes dos policiais, o governador da Bahia, Rui Costa (PT), em entrevista, garantiu nesta segunda-feira (9) o uso de “força máxima” para encontrar os responsáveis pelas mortes dos agentes.

“Primeiro eu quero prestar minha absoluta solidariedade, sentimentos às famílias dos policiais. Segundo, desde ontem [domingo] determinei ao comandante Coutinho o uso de força máxima de todas as especializadas, inclusive com uso de helicóptero para que possamos capturar todos os responsáveis por esses ataques”, disse Rui Costa.

Em operação conjunta, agentes da polícia civil e militar seguem em operação na região de Cajazeiras e adjacências. Até o momento existe registro de presos e quatro homens foram baleados, sendo que dois não resistiram aos ferimentos. Segundo a polícia militar, eles eram suspeitos de envolvimento com a morte do policial Alexandre José Ferreira Menezes Silva. 

Em nota, a Polícia Civil informa que está organizando ações coordenadas para buscar os suspeitos. “Em uma reunião de alinhamento, os Departamentos de Homicídios e Proteção e a Pessoa (DHPP), de Inteligência Policial (DIP), de Repressão e Combate ao Crime Organizado (Draco), de Crimes Contra o Patrimônio (DCCP) e de Polícia Metropolitana (DEPOM) definiram, junto com representantes do SI/SSP e da PM, grupos de trabalho que desenvolvem atividades de inteligência alinhadas com levantamentos em campo. Equipes do DHPP e do Draco já estão atuando, realizando as atividades investigativas.”, aponta a nota.

A Revista Afirmativa buscou contato com a Polícia Militar, por meio da assessoria de comunicação, mas ainda não obteve resposta sobre número atualizado de prisões, mandados, óbitos e nem sobre a denúncia da família de Wellington Santos Piedade.