Por Luana Miranda
No último domingo (25), mais uma partida de futebol se tornou cenário para um crime de racismo. O episódio ocorreu durante um jogo do Campeonato Sul-Americano de Futebol Amador Sub-17, em Balneário Camboriú (SC). Um adolescente paraguaio de 15 anos chamou um dos jogadores do time rival brasileiro de “macaco”. O acusado foi encaminhado para a Central de Plantão Policial da região.
De acordo com as informações divulgadas para a imprensa local, por volta das 16h30 o guarda municipal foi acionado no estádio para atender a ocorrência de racismo. A vítima, que também é um adolescente e integra a equipe Mandrake, contou que a ofensa aconteceu durante um momento em que os jogadores disputavam pela posse da bola. O esportista brasileiro pediu para que ele repetisse, o adversário mais uma vez o chamou de “macaco”, com a voz mais alterada.
O ato criminoso revoltou a torcida que acompanhava o jogo, e rapidamente a polícia foi acionada. Os envolvidos foram levados para prestar depoimentos e registrar o boletim de ocorrência. Em nota, divulgada na terça-feira (26) pela página oficial do Sulamericano Cup, as associações envolvidas na realização do evento destacaram que todas as medidas cabíveis foram tomadas, responsabilizando o infrator, mas preservando a identidade dos envolvidos como consta no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
“Reiteramos que a Sulamericano Cup possui caráter essencialmente formativo, tendo como principal objetivo a formação de cidadãos, além de atletas, utilizando o esporte como ferramenta de educação, aprendizado, responsabilidade e crescimento humano”, declarou.
Nos últimos anos, foi identificado o aumento significativo dos episódios de racismo no futebol, só em 2023 foram registrados 136 casos de racismo segundo o último Relatório da Discriminação Racial no Futebol . Apesar de novas medidas terem sido implementadas para punição mais severa dos agressores, essa ainda não é uma realidade praticada. É importante destacar que ofensas racistas em campo não atingem apenas times da base e campeonatos de menor porte. Um exemplo disso é o jogador Vinícius Júnior, ponta-esquerda no Real Madrid, que tem sido alvo de racismo em campo repetidas vezes e se tornou um referencial de resistência no esporte.


