Texto: Divulgação*
O espetáculo Erê, do Bando de Teatro Olodum, está de volta aos palcos. A montagem fica em cartaz a partir desta sexta-feira (04) no Centro Cultural Plataforma, no Subúrbio Ferroviário de Salvador (BA). A programação integra o projeto Bando de Teatro Olodum – 35 Anos de Arte Negra e celebra os 30 anos de Erê no teatro baiano.
O espetáculo se propõe a ser um contínuo manifesto contra a violência do racismo, utilizando a música, a dança, a performance e a dramaturgia para afirmar que a vida negra importa e precisa ser preservada.
A temporada estará em cartaz até o dia 26 de setembro, com sessões fechadas para estudantes da rede pública às sextas-feiras, às 19h, e aos sábados, às 15h. Aos sábados, às 19h, as apresentações serão destinadas a instituições socioculturais e ao público em geral. Os ingressos são gratuitos e podem ser retirados na bilheteria do teatro, cerca de uma hora antes de cada apresentação.
Originalmente criado como “Erê pra Toda Vida/Xirê”, o espetáculo nasceu no Bando de Teatro Olodum, em 1996, como denúncia de uma ferida que o Brasil não pode esquecer: a Chacina da Candelária. O caso aconteceu em 1993, quando oito crianças e jovens em situação de rua foram assassinados em frente à Igreja da Candelária, no centro do Rio de Janeiro (RJ).
Criado para o Festival Carlton Dance, o espetáculo teve direção geral de Márcio Meirelles, trilha sonora de Jarbas Bittencourt e direção de movimento de Zebrinha. Na celebração dos 30 anos, Erê ganhou uma nova versão, com roteiro de Lázaro Ramos, texto de Daniel Arcades, direção de Cássia Valle e Zebrinha e direção musical e música original de Jarbas Bittencourt.
Para Cássia Valle, assumir Erê é também reconhecer a memória de uma obra construída por muitas mãos e corpos ao longo de sua trajetória. “Ao assumir esta codireção, assumi também o compromisso de não deixar que o novo apagasse os caminhos que nos trouxeram até aqui, reconhecendo as pessoas, os processos e os saberes que atravessaram Erê ao longo do tempo. Em 2026, Erê completa 30 anos. E há algo profundamente triste em perceber o quanto ainda precisamos dizer através deste espetáculo.”
Para o diretor e coreógrafo José Carlos Arandiba, conhecido como Zebrinha, revisitar Erê nos 35 anos do grupo é reafirmar a capacidade de resistência e reinvenção de um coletivo que transformou a cena baiana e brasileira.
“A arte do Bando sempre esteve ligada à celebração e à denúncia. Erê é a síntese disso: a gente canta, dança e conta histórias para afirmar que as vidas negras importam e precisam ser preservadas. Ter o elenco inteiro no palco e novos talentos é um presente para o público e para a nossa história.”
Pelo Bando de Teatro Olodum passaram artistas como Lázaro Ramos, Edvana Carvalho, Valdinéia Soriano, Érico Brás, Lucas Letto, Evaldo Macarrão, Sulivã Bispo, Luciana Souza e Virgínia Rodrigues.
*Com informações de Aldeia Nagô


