Estudo da Fiocruz revela que jovens negros tem 68% de chance de morrerem precocemente no Brasil

O dossiê apresenta um panorama da saúde de jovens brasileiros de 2016 a 2020, e mostra também que jovens negros são mais atingidos pela informalidade no trabalho

O dossiê apresenta um panorama da saúde de jovens brasileiros de 2016 a 2020, e mostra também que jovens negros são mais atingidos pela informalidade no trabalho

Por Andressa Franco

Imagem: Lucas Weber

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgou na última segunda-feira (11) o dossiê “Panorama da Situação de Saúde de Jovens Brasileiros de 2016 a 2022: Intersecções entre Juventude, Saúde e Trabalho”. O estudo mostra que os jovens brasileiros entre 15 e 29 anos sofrem vários agravos à saúde por situações de violência, condições de trabalho e impactos na saúde mental. São resultados inéditos levantados a partir de bases de dados do Sistema Único de Saúde (SUS).

Um dos dados de destaque aponta que jovens nessa faixa etária estão mais sujeitos à violência física, psicológica e sexual no Brasil. Também mostra que a porcentagem de homens jovens negros que morrem precocemente é de 68%. Entre os homens brancos, essa porcentagem é de 29%.

“Os dados mostram que a juventude apresenta maior risco de sofrer violência. Em 30,15% de todos os casos de violência notificados no período estudado, as vítimas tinham entre 15 e 29 anos”, alerta o estudo. Dentre esses, a maior taxa de ocorrência de violências em todas as regiões do país é registrada em adolescentes com idade entre 15 e 19 anos. 

Além disso, essa violência também tem gênero: 73% das vítimas são do sexo feminino (73%). Segundo a pesquisa, a taxa de incidência da violência em mulheres jovens foi cerca de duas vezes maior do que em mulheres com 30 anos ou mais. Na maioria dos casos, a vítima é negra e o agressor é do sexo masculino. As estatísticas também apontam para lesões autoprovocadas, que representam 35% das notificações e dizem respeito, entre outras coisas, a tentativas de suicídio.

O dossiê da Fiocruz mostra ainda que a possibilidade de um homem jovem morrer é quatro vezes maior do que uma mulher. As taxas de mortalidade são de 80,3% e 19,7%, respectivamente.

Além das situações de violência, o relatório também aborda condições de trabalho, constatando que os jovens estão mais expostos à informalidade e à rotatividade, além de cumprirem jornadas mais extensas, com salários menores. Vale ressaltar que quando falamos de genocídio da juventude negra, a morte é a instância final de um longo processo de ausência de políticas públicas – como a garantia de direitos relacionados à saúde, educação e combate à violência física, psicológica e sexual – o que resulta no extermínio sistemático de vidas negras.

De acordo com o estudo, 70,1% dos jovens entre 18 e 24 anos compõem a força de trabalho (ocupados ou buscando emprego). No entanto:

– jovens mulheres têm mais dificuldade de entrar e se manter no trabalho do que homens;

– jovens negros são mais atingidos pela informalidade no trabalho do que jovens brancos;

– jovens mulheres negras estão na ponta mais sensível das discriminações no mercado de trabalho.

Em paralelo, entre os jovens de 18 a 24 anos, a porcentagem de brancos frequentando o Ensino Superior é 17% a mais que a de jovens negros na mesma situação.

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