Ex-aluno da Universidade Federal do Rio Grande do Sul é preso após condenação por racismo

Álvaro Hauschild enviou mensagens racistas para namorada de estudante negro; além de produzir conteúdos negacionistas sobre o Holocausto em sites e blogs

Por Karla Souza

A Polícia Civil prendeu, na manhã da última segunda-feira (31), o ex-estudante de doutorado da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Álvaro Hauschild, de 32 anos. Ele foi detido em um hotel no Centro de Porto Alegre e encaminhado ao Núcleo de Gestão Estratégica do Sistema Prisional (Nugesp). O mandado de prisão foi expedido em 17 de março pela 2ª Vara de Execuções Criminais da capital, após a condenação transitar em julgado.

Hauschild foi condenado a dois anos e nove meses em regime aberto pelo crime de racismo. Em 2021, ele enviou mensagens racistas à namorada do então estudante Sérgio Renato da Silva Júnior, que é negro. A investigação também apontou que o condenado publicou conteúdos negacionistas sobre o Holocausto em sites e blogs. A condenação se deu com base na Lei 7.716/1989, que criminaliza a discriminação e preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.

A delegada Tatiana Bastos, titular da Delegacia de Polícia de Combate à Intolerância (DPCI), informou que Hauschild permaneceu calado durante o interrogatório. Seu celular foi apreendido e encaminhado para análise pericial. “O cumprimento da pena em regime aberto deve ocorrer em casa de albergado ou estabelecimento adequado, conforme prevê o Código Penal”, afirmou.

Em 2022, a UFRGS anunciou o desligamento do estudante, com base no código disciplinar da instituição, que prevê sanção para práticas discriminatórias. A decisão foi tomada após a universidade tomar conhecimento dos ataques racistas cometidos pelo aluno. Além disso, uma editora de Curitiba retirou de circulação um livro de autoria de Hauschild e recolheu exemplares das livrarias.

A polícia registrou um novo boletim de ocorrência contra o preso no sábado (29), após ele publicar comentários misóginos em redes sociais. Segundo as autoridades, Hauschild possui antecedentes por injúria, perseguição e falsa comunicação de crime. A reincidência em condutas discriminatórias levanta questões sobre a efetividade de sanções e a necessidade de mecanismos mais rigorosos para combater discursos de ódio.

A pena aplicada a Hauschild inclui a qualificadora prevista na legislação para crimes cometidos por meio de publicação em redes sociais ou outros meios de comunicação, o que aumentou sua punição para até cinco anos de reclusão.

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