A nova gestão aposta em um Centro de estudo da Saúde das Populações Negra e Indígena para promover intercâmbio acadêmico e pluralidade na Faculdade de Medicina

Por Daiane Oliveira

Imagem: Divulgação UFBA

A comunidade acadêmica da Faculdade de Medicina da Bahia (FMB) da Universidade Federal da Bahia (UFBA) possui uma nova diretoria oficialmente apresentada durante uma sessão solene na última segunda-feira (14), no Salão Nobre da Reitoria, no Canela, em Salvador. Desde a sua fundação em 1808, a primeira faculdade de Medicina do Brasil não foi administrada por algum docente negro, o que acaba de mudar com a eleição histórica do médico e professor Antonio Alberto da Silva Lopes, na chapa que traz como vice o também médico e professor Eduardo Borges dos Reis.

A nova gestão da Faculdade de Medicina tem como desafio a criação do Centro Internacional de Estudo e Pesquisa da Saúde das Populações Negra e Indígena, que está entre os principais projetos da nova gestão. O projeto visa integrar pesquisadores de distintos centros de pesquisa nacionais e internacionais com trabalhos nesses dois grupos.

“É objetivo do centro promover maior envolvimento dos programas locais de pós-graduação com linhas de pesquisas e teses de doutorado voltados para problemas de saúde que atingem predominantemente as populações negras e indígenas”, declarou Antonio Alberto Lopes em entrevista à canais oficiais da UFBA.

O novo diretor de Medicina ainda avalia a inclusão de trabalhos envolvendo comunidades de marisqueiras no centro, devido aos relatos de lesões ocasionadas à atividade, intoxicações e outras questões específicas de quem atua nas marés com o manejo de mariscos e frutos do mar. “Já no caso da população indígena, podemos integrar pesquisadores em torno da malária, tuberculose e desnutrição, por exemplo”, disse Lopes.

Antonio Aberto Lopes é pesquisador do CNPq e membro titular da Academia Bahiana de Medicina, onde ocupa desde 2019 a cadeira de número 23. O médico formado pela Universidade Federal da Bahia possui também PhD em ciência epidemiológica e mestrado em Saúde Pública pela Universidade de Michigan, nos Estados Unidos. Na UFBA, além de professor desde 1980, já atuou nos cargos de pró-reitor de pesquisa e pós-graduação, coordenador do Programa de Medicina e Saúde e chefe do Núcleo de Medicina Baseada em Evidências do Hospital Universitário Professor Edgard Santos (Hupes).