O torcedor foi preso por injúria racial e foi proibido de frequentar estádios por 6 meses

Por Daiane Oliveira e Patrícia Rosa

Imagem: Globo Esporte

Em uma semana que o mundo acompanha o caso de racismo contra o atacante Vini Jr., no Brasil o goleiro Caíque Purificação, que atua no clube Ypiranga do Rio Grande do Sul, foi vítima de racismo durante uma partida contra o Altos, do Piauí, válida pela série C do Campeonato Brasileiro. A partida estava ainda no início quando um torcedor gritou, “uva preta, solta logo essa bola”, se referindo ao atleta.

O torcedor foi identificado como autor do crime e preso em flagrante por injúria racial. Após a partida, o atleta prestou depoimento sobre o racismo. O crime aconteceu no sábado (20), mas já no domingo (21), após passar por audiência de custódia, sem precisar pagar fiança, o homem foi liberado. A Justiça determinou as medidas cautelares como não frequentar estádios por 6 meses e não deixar a cidade, sob pena de ser preso novamente.

Em nota o Ypiranga-RS manifestou apoio ao jogador Caíque. Em entrevista ao Globo Esporte, o técnico do Ypiranga, Luizinho Vieira, desabafou sobre a “má vontade” no combate ao racismo. “É sistemática a situação do racismo. É inadmissível, na verdade. Mas a gente está em um país que não consegue punir as pessoas. Uma má vontade para resolver o problema e aí a gente fica sofrendo”, declarou.

O goleiro Caíque, dono da camisa 97 do Ypiranga, disse não ser a primeira vez que sofreu com racismo enquanto atuava. Em entrevista ao Globo Esporte, o atleta afirmou que situações assim mancham o esporte. “Todas as vezes que ouvi esse tipo de fala eu fiquei calado, mas acho que a gente tem que começar a falar. Acho que mancha o espetáculo. Espero que ele tenha consciência do que fez, que eu tenho certeza que ele não vai repetir mais isso”, disse Caíque.