O grupo criticava o passaporte vacinal e carregava cartazes com suásticas; a mulher aparece com uma máscara com a bandeira do Brasil e camisa com a frase “Liberdade não se ganha, se toma”

Por Andressa Franco

Na tarde desta quarta-feira (20), um grupo de pessoas invadiu a Câmara dos Vereadores de Porto Alegre (RS) com cartazes criticando o passaporte vacinal da covid-19, um desses cartazes com símbolos de uma suástica nazista. A sessão plenária discutia o veto da prefeitura à exigência do comprovante vacinal, e foi suspensa depois da confusão.

Durante a ação, onde houve empurrões e trocas de socos, um mulher branca aparece usando máscara com a bandeira do Brasil e camisa com a frase “Liberdade não se ganha, toma”. Em meio a um grupo aglomerado, se dirige exaltada às únicas três vereadoras negras da casa repetindo: “Eu sou o povo, tu é minha empregada!”. Veja o vídeo.

Chamada de racista, a mulher não parou de repetir a frase contra a vereadora Bruna Rodrigues (PCdoB), presidenta do partido na cidade, Daiana Santos (PCdoB) e Laura Sito (PT), vice-presidenta do partido. As três, junto com a vereadora Karen Santos (PSOL), que não estava presente, são as únicas mulheres negras na Câmara de Porto Alegre.

O tumulto teve início quando o vereador Cláudio Janta (Solidariedade) discursava defendendo a vacina. Em sua fala, pediu que a Mesa Diretora fizesse ser cumprido o distanciamento social e o limite de ocupação nas galerias.

Em vídeo publicado nas redes sociais para explicar o caso, Bruna Rodrigues descreveu o grupo como turma fascista, anti-passaporte vacinal e negacionista, que não acredita na ciência. “Nós não aceitamos mais, nós não vamos ser as empregadas, vamos ser as vereadoras, as médicas, nós vamos ocupar todos os lugares”, afirma.

Daiana, que gravou o vídeo junto com a presidenta do partido, questionou a ausência da guarda militar no momento do ocorrido. “Vão aprender a respeitar quem é legítimo, isso é um desrespeito dentro da casa do povo, levantar a voz, entrar aqui com placa de suástica, isso é o ápice do desrespeito! Não é possível que nós tenhamos que passar o tempo todo por isso! E o pior, cadê a brigada militar? Cadê a guarda militar?”.

A Guarda Municipal foi acionada para retirar os manifestantes do local, e a sessão foi retomada.

As vereadoras encerraram o vídeo dizendo que a realidade das parlamentares negras no Brasil leva a passarem mais tempo se defendendo, do que discutindo projeto. Apesar de terem sim um projeto de nação, e que não dialoga com o fascismo, o racismo e o ódio representado por Bolsonaro e seus apoiadores. 

“Não vão nos coagir, não vão nos isolar, porque nós sabemos quem viemos representar, e não são aqueles ali, é a ciência, é a educação, é a saúde”, finalizou Rodrigues, ressaltando a importância de denunciar casos semelhantes.

Em nota, a Câmara Municipal repudiou os atos de violência e de intimidação contra os vereadores. “Em hipótese alguma esta Câmara aceitará apologia à suástica, símbolo do período mais obscuro da história moderna da humanidade. Aqueles que buscam impor suas vontades pela força ou pelo terror nunca terão guarida nesta Casa. Pelo contrário, tais indivíduos serão submetidos ao rigor da lei e responsabilizados por seus atos”, diz um trecho da nota.