Por Patrícia Rosa
A atriz Cássia Kis foi denunciada por cometer transfobia contra uma jovem trans no banheiro do Barra Shopping, no Rio de Janeiro (RJ). Roberta Santana, de 25 anos, registrou um boletim de ocorrência contra a artista na última segunda-feira (27).
O que era para ser mais um dia de trabalho se tornou um trauma e uma situação de violência para a trabalhadora de um estabelecimento do shopping. Nas redes sociais, Roberta relatou a situação de constrangimento que sofreu na sexta-feira (24):
“Assim que eu entrei no banheiro, ela estava atrás de mim aguardando a fila e começou os ataques. Ouvi coisas absurdas, entrei em uma das cabines e, ao sair, ela continuava falando coisas horríveis e questionando minha presença no banheiro com uma das funcionárias. Ouvi ela dizer que o Brasil estava perdido porque tinha ‘homem’ no banheiro, que não tinha uma placa ali autorizando minha entrada”, denunciou.
Durante a discussão, a vítima apontou a transfobia e reivindicou o direito de usar o banheiro feminino. Cássia manteve as falas transfóbicas e afirmou que não utiliza o banheiro masculino. “Quando eu falei que ela tinha que respeitar uma travesti no banheiro feminino, ela perguntou se eu estava assumindo que era homem. Minha única reação nessa situação foi pegar meu celular para gravar”, contou Roberta. O episódio ocorreu com o local cheio, expondo a funcionária ao constrangimento público.
Manifestações em apoio à Roberta
Diante da atitude de ódio, organizações como a Agência Bicha da Justiça prestaram apoio à jovem, reforçando que mulheres trans têm o direito garantido de utilizar o banheiro feminino. “O uso desses espaços conforme a identidade de gênero é uma questão de dignidade humana, não uma escolha opcional. Pessoas trans e travestis não são ameaça. O estigma que associa a presença de pessoas trans em banheiros a qualquer tipo de risco é infundado e serve apenas para alimentar o preconceito.”
A Bicha da Justiça ressaltou ainda que o respeito à identidade de gênero é um pilar fundamental da legislação e deve ser garantido em qualquer espaço, público ou privado. De acordo com a lei brasileira, a discriminação contra pessoas trans e travestis é equiparada ao crime de racismo, com pena de reclusão que pode variar de 2 a 5 anos, além de multa.
“Qual o problema de uma pessoa trans usar o banheiro em paz?”: iniciando sua manifestação com um questionamento necessário, a deputada federal Erika Hilton também se manifestou diante do caso e defendeu que o uso de banheiros femininos por mulheres trans não é uma preocupação real do povo brasileiro.
“Mas como a extrema-direita é incapaz de atender às preocupações reais, precisam inventar problemas para oferecer soluções. Precisam colocar um alvo na testa de determinadas populações para oferecer armas e ódio às outras. E o que a atriz Cássia Kis fez foi justamente isso. Com um bônus: quem sabe assim ela deixa de ser esquecida e irrelevante até no bolsonarismo”, afirmou a deputada em uma rede social.


