Testemunhas afirmam que Wellington de Jesus estava jogando bola com amigos quando a Polícia Militar chegou atirando

Por Andressa Franco

Na noite da última segunda-feira (24), o jovem Wellington Vinícius Santos de Jesus, de 22 anos, morreu após ser baleado na Chapada do Rio Vermelho, localizada no Complexo do Nordeste de Amaralina, em Salvador (BA). Os moradores acusam policiais militares pela execução de Wellington.

Segundo apuração do portal Nordeste Sou, a vítima era motoboy e, de acordo com os familiares, residia na Rua do Gás, no Vale das Pedrinhas, e estava com um grupo de amigos jogando bola, quando os PMs entraram no local atirando. Uma moradora do bairro que estava passando na rua na hora também foi atingida e os dois foram socorridos para o Hospital Geral Do Estado (HGE). A família afirma que ele já chegou no HGE sem vida. A mulher, que não foi identificada, não corre risco de morte.

O Departamento de Polícia Técnica (DPT) foi acionado e fez perícia no local.

Nesta terça-feira (25), o comando da Base Comunitária da Polícia Militar no Complexo do Nordeste de Amaralina afirmou que o jovem estava armado e em um carro roubado, o que diverge do relato das testemunhas. Segundo matéria do G1, o tenente Pitanga, comandante da base, disse que a equipe da corporação deu voz de parada a quem dirigia o veículo, mas não foi atendida. Assim, afirma, teve início uma troca de tiros “iniciada pelos meliantes que estavam ocupando o veículo”.

O comandante, no entanto, não informou o que aconteceu com os demais homens que estariam no carro com a vítima. Seguindo a versão padrão na qual os agentes atiraram em legítima defesa, disse ainda que foi encontrado com Wellington um revólver, e a placa do veículo “que já tinha restrição de furto e roubo”.

O caso não foge às estatísticas da Polícia Militar baiana, a mais letal da região Nordeste em 2020, segundo a pesquisa “Pele Alvo: A cor da violência policial”, da Rede de Observatórios da Segurança. O levantamento registrou um aumento de 21,08% de mortes por ações policiais, em comparação com 2019, e todas as vítimas eram negras.

Já o boletim Pele alvo: a cor que a polícia apaga, publicação da organização que dá conta das mortes em decorrência de intervenção de agentes do estado em 2021, revela que 97,9% delas eram negras. O maior percentual entre os sete estados monitorados pela Rede.