Anielle dialogou sobre a retomada do programa Japer e se reuniu com a Representante Especial de Estado para Justiça e Igualdade Racial do Departamento de Estado dos EUA

            Por Andressa Franco

Imagem: Ministério da Igualdade Racial

Na última sexta-feira (10), a comitiva que acompanhou o presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT) em viagem aos Estados Unidos na quinta-feira (9), retornou da missão. Entre os integrantes, estava a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco. A visita tinha em vista o fortalecimento da relação para a defesa da democracia.

Entre as principais pautas da agenda da ministra, estava a retomada do programa Japer: um acordo bilateral assinado em 2008 entre Brasil e EUA para superação do racismo. O governo pretende conhecer e mapear financiamentos para ações no campo da memória e da cultura negra.

O Japer é um conjunto de ações para eliminação da discriminação étnico racial e promoção da igualdade elaborado a partir de um acordo assinado no segundo mandato de Lula. Mas foi engavetado pouco tempo depois pelos dois países com as últimas ações tendo sido executadas em 2011.

Segundo apuração da CNN, o governo brasileiro já recebeu a sinalização do governo de Joe Biden para a retomada do programa, que prevê o mapeamento da desigualdade racial no acesso à Justiça, no direito à cidade, às oportunidades econômicas e educacionais.

Encontro com Representante de Estado para Justiça e Igualdade Racial

A agenda da ministra também contou com uma visita oficial ao Museu Nacional de História e Cultura Afro-Americana, para conhecer metodologias e ações de financiamento internacional para o campo da memória e reparação da cultura negra. A troca de experiências deve inspirar o desenvolvimento de editais de apoio direto voltados para pessoas negras.

No dia 10, a ministra se reuniu com a Representante Especial de Estado para Justiça e Igualdade Racial do Departamento de Estado dos EUA, Desirée Cormier Smith. Além da retomada do Japer, a conversa passou pela temática de estreitar laços e promover o intercâmbio de ações de Estado para a erradicação do racismo e desigualdades. Isso através de áreas estratégicas como educação, saúde e segurança pública.

O genocídio da juventude negra também foi um tema abordado na reunião. Se trata de uma realidade presente em ambos os países, e que tem feito cada vez mais vítimas. No último mês, os norte-americanos assistiram a intensos protestos pela morte do jovem Tyre Nichols, de 29 anos, por cinco policiais de Memphis, Tennesse.

Em novembro de 2022, dados levantados pela Rede de Observatórios da Segurança no boletim “Pele Alvo: a cor que a polícia apaga” mostram os índices de letalidade policial em sete estados brasileiros: Bahia, Ceará, Maranhão, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo. Foram monitoradas 3.290 mortes em ações policiais realizadas em 2021, desse total, 2.154 eram pessoas negras.

Entre os planos do Ministério da Igualdade Racial para os primeiros dias de governo está o relançamento do Programa Juventude Negra Viva, que visa atuar contra esses números, em articulação com outros ministérios.