De acordo com pesquisa da Rede de Observatório de Segurança a Bahia lidera o ranking de letalidade policial contra pessoas negras

Por Redação

Imagem: Reprodução

Em média cinco pessoas negras são mortas por policiais todos os dias. É o que aponta a pesquisa Pele Alvo: a cor que a polícia apaga, da Rede de Observatórios da Segurança divulgada na última quinta-feira(17). Somente no ano de 2021 foram registradas 3.290 mortes, nos sete estados monitorados (Bahia, Ceará, Maranhão, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo). A pesquisa aponta que do total de mortos nos estados pesquisados, 2.154 eram negras.

Dos estados mapeados, a Bahia é o que lidera o ranking de violência policial contra pessoas negras, 97,9% dos assassinatos em ações de intervenção do estado eram negros. No total foram 1.013 mortes no período analisado, desse número 603 eram negras, 13 brancas e 397 não tiveram a cor identificada. 

Para o Coordenador da Rede de Observatórios da Segurança na Bahia, Dudu Ribeiro, o alto índice de letalidade policial no território baiano é causado pela falta de dedicação na alteração do foco da segurança pública. 

“De promover medidas que impeçam a intervenção policial com resultado de morte, muitas vezes as forças policiais foram incentivadas por falas diretas do executivo,   como a expressão do governador, relacionado a chacina do Cabula em 2015”, afirma Dudu  Ribeiro.

Bahia e Rio de Janeiros dispara em números de casos de violência policial contra a população negra

O levantamento traz uma semelhança  nos dados sobre extermínio da população negra por parte do estado, entre a Bahia e o Rio de Janeiro. No estado do sudeste foram registrados 1.356 assassinatos realizados pela polícia, destas 1060 casos foram de pessoas negras, frente a 154 mortes de brancos e 142 não identificados.  No total 87,3% das vítimas são negras. “Por mais que os dois estados tenham governos com matrizes políticas diferentes, a questão da Segurança Pública continua sendo muito próxima, independente da corrente e da lógica”, comenta Dudu Ribeiro. Para ele a esquerda  precisa colocar a Segurança Pública no centro do debate. “Com projetos alternativos, que superem a lógica da militarização e da produção de uma segurança pública baseada na violência e na ocupação de territórios.”

Ribeiro  fala também  da vulnerabilidade a que as comunidades ficam expostas e como os modelos de seguranças são baseados na repressão e na produção de mortes e não na proteção da população. 

O estado do Maranhão não produz números sobre a cor dos mortos pela polícia

O Maranhão apontou 87 mortos por agentes do estado, mas sem dados referentes à cor das vítimas. O levantamento também fala sobre a omissão dos dados referente a cor, e traz como uma questão intencional. “Revela o descaso e incompetência, gera prejuízos incalculáveis ao tentar produzir o apagamento do racismo presente nas ações dos agentes do Estado. O que também dificulta que a sociedade possa dimensioná-lo, compreendê-lo, discuti-lo publicamente para então encontrar maneiras de superação”, destaca a pesquisa da Rede de Observatórios da Segurança.