Conheça a trajetória da atriz e a série que lhe rendeu o prêmio

Por Andressa Franco

Neste domingo (9), Mj Rodriguez se tornou a primeira mulher trans a vencer um Globo de Ouro. A artista foi contemplada pela premiação com a estatueta de melhor atriz em série de drama, por sua interpretação em “Pose”, como a protagonista Blanca Evangelista.

Não é a primeira vez que Rodriguez concorre à uma categoria principal de atuação. Em julho do ano passado foi a primeira mulher trans indicada ao Emmy nessa categoria, também pela série “Pose”, mas o prêmio ficou com Olivia Colman por “The Crown”. A estatueta no Globo de Ouro também é a primeira da premiação para a série “Pose”, que estreou em 2018.

A atriz, que completou 31 anos na última sexta-feira (7), afirmou que o prêmio é seu “presente de aniversário” e comemorou a conquista nas redes sociais. “Esta é uma porta que está se abrindo para muitos jovens talentosos. Eles verão que isso que isso é mais do que possível. Eles verão que a jovem garota negra latina de Newark, que tinha um sonho, um sonho de mudar a mente dos outros com amor. O amor vence. Para meus jovens bebês LGBTQAI, estamos aqui! A porta está aberta. Agora, alcancem as estrelas”, escreveu.

Mj Rodriguez e Pose

Com ascendência africana e porto-riquenha, Michaela Antonia Jaé Rodriguez nasceu em 7 de janeiro de 1991, em Nova Jersey. E foi em um colégio católico onde despertou seu interesse pela atuação.

Formada pelo Berklee College of Music, Michaela inicialmente se identificava como uma pessoa gay e bissexual, se assumindo para a família aos 14 anos. Anos mais tarde se entendeu como uma pessoa trans e começou seu processo de transição.

Seu nome artístico é uma homenagem à personagem Mary Jane Watson, de Homem-Aranha. Ao longo de sua carreira, MJ já participou de seriados como The Carrie Diaries, Luke Cage e mais recentemente do filme Tick, Tick… Boom!, da Netflix.

O seriado “Pose”, seu papel de maior destaque, é ambientado no final dos anos 1980, com uma trama que aborda questões do cenário LGBTQIA+ afro-americano e latino-americano da cidade de Nova Iorque. Desde os bailes LGBTQIA+, que consistem em performances em diferentes categorias avaliadas por jurados em troca de troféus, até as discussões sobre como o vírus HIV era enfrentado pela comunidade e julgado pela sociedade branca e abastada.

Em meio a esse cenário, Blanca Evangelista, uma mulher trans, cria sua própria Casa para concorrer nos bailes. Acolhendo o dançarino expulso de casa pelos pais por sua sexualidade Damon; a trabalhadora de sexo, também trans, Angel; e o órfão latino que sobrevive vendendo drogas, Lil Papi.

Com três temporadas, o elenco quebrou o recorde de maior número de atrizes trans em papéis regulares da série. E conta com nomes como Billy Porter, Dominique Jackson, Indya Moore, e mais. A primeira e a segunda temporada do programa estão disponíveis na Netflix, a terceira pode ser assistida no Star+.