A morte foi provocada por uma parada cardiorrespiratória, após testar covid-19 pela segunda vez; Alaíde teve um importante papel na luta antirracista e na construção de movimentos sociais

Da Redação

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Morreu nesta segunda-feira (31) aos 73 anos a cozinheira baiana Alaíde Conceição, conhecida pelo Restaurante Alaíde do Feijão, localizado no Centro Histórico de Salvador. De acordo com os familiares, a cozinheira havia testado positivo para a Covid-19 pela segunda vez e se recuperava da doença em um hospital em Salvador. Mas não resistiu a uma parada cardiorrespiratória.

Em nota, o Coletivo de Entidades Negras (CEN) lamentou a morte de Alaíde do Feijão, que deixou três filhas, sete netos, e seis bisnetos. “Trata-se de uma perda irreparável, que deixa órfão todo o movimento negro brasileiro”. O CNE pontuou ainda que “Alaíde era uma mulher de grande força, representatividade, e legítima matriarca, como tantas mulheres negras chefes de família da Bahia e do Brasil”.

Membro do Terreiro Tumbacê, em Salvador, teve um importante papel na luta antirracista e na construção de movimentos sociais. Seu restaurante foi espaço de nascimento de “acordos políticos históricos”, e também foi onde “surgiram movimentos novos de luta por direitos”, como destacou a nota do Coletivo.

Alaíde costumava discutir decisões dos blocos de samba e afro da capital baiana, além de participar de campanhas políticas, aconselhando candidatos e candidatas a vereadores e deputados. A cozinheira promoveu mais de 10 edições da “Quitanda do Saber”, evento cultural e culinário marcado pela sua feijoada e realizado no mês de março, como homenagem ao Dia Internacional da Mulher.

Nascida em 1948, no bairro do Comércio, se dedicou à culinária depois da aposentadoria da mãe, que seguia esse mesmo ramo. E, em 1993, abriu seu primeiro restaurante no Pelourinho. Mudou a localização em 2015, para transformar o antigo espaço em um ponto de cultura, mas continuou no Pelourinho, na Rua das Laranjeiras.