Autora de 40 livros sobre feminismo, racismo, cultura, política, papéis de gênero, amor e espiritualidade, hooks recebeu homenagens de ativistas brasileiras nas redes sociais

Por Andressa Franco

Imagem: Divulgação

Deixando um legado como expoente do pensamento feminista negro, morreu nesta quarta-feira (15) a escritora e ativista americana bell hooks, aos 69 anos. A família afirma que anunciará “em breve” uma cerimônia para celebrar o legado da teórica.

“A família de Gloria Jean Watkins vem muito triste em informar o falecimento de nossa amada irmã neste 15 de dezembro de 2021. A família honrou seu pedido de partir em casa com os familiares e amigos ao seu lado”, informou um comunicado publicado pela família nas redes sociais, citando o nome de batismo da escritora, que assinava com o pseudônimo “bell hooks”. Inspirado no nome de sua bisavó materna, Bell Blair Hooks, era grafado com letras minúsculas para dar enfoque ao conteúdo da sua escrita e não à sua pessoa.

 “A família está honrada com os inúmeros prêmios, honras e fama internacional que Gloria recebeu por seu trabalho como poeta, autora, feminista, professora, crítica cultural e ativista social. Temos orgulho em chamá-la de irmã, amiga, confidente e influenciadora”, acrescenta a nota.

Uma das principais teóricas do feminismo, racismo e gênero da atualidade hooks publicou seu primeiro livro de poemas “And There We Wept” sob seu pseudônimo em 1978. No decorrer dos anos, foram mais de 40 livros publicados em 15 idiomas diferentes. Abordando feminismo, racismo, cultura, política, papéis de gênero, amor e também espiritualidade.

Hooks nasceu na cidade de Hopkinsville, localizada no estado do Kentucky, Condado de Christian, onde frequentou escolas segregadas. Se formou em inglês na Universidade de Stanford na Califórnia e cursou seu mestrado na Universidade de Wisconsin. Também conquistou um doutorado em Literatura, na Universidade da Califórnia em Santa Cruz.

A universidade em que Hooks lecionava divulgou uma nota lamentando o falecimento da escritora. Ela atuava como professora residente em Estudos Apalaches, povos nativos norte-americanos. “A Universidade Berea é grata por suas contribuições ao campus e irá celebrar sua vida e legado por meio do Centro bell hooks, aberto no outono de 2021. O Instituto bell hooks na Universidade Berea irá continuar como um local valioso sobre o trabalho de sua vida, lembrando as pessoas que tudo na vida é sobre amor”, diz a nota.

Ativistas prestam homenagem nas redes sociais

Ativistas utilizaram as redes sociais para lamentar a morte da hooks. A escritora e feminista negra Djamila Ribeiro afirmou que vai homenagear a intelectual em sua próxima coluna no jornal Folha de S. Paulo. A vereadora Erika Hilton (PSOL-SP) escreveu em uma rede social sore a importante contribuição da autora para o feminismo negro e para a teoria crítica. “Hoje nós honramos todo seu trabalho e a luta! Ela também tem trabalhos nas áreas de educação e filosofia, ela foi uma gigante do nosso tempo. Estamos em luto em sua memória”, finalizou Hilton.

A também vereadora Talíria Petrone (PSOL-RJ) lembrou as obras da pensadora. “Certa vez escreveu: o feminismo é para todo mundo! E é dessa forma que pensamos e acreditamos. Os ensinamentos de bell hooks vão seguir vivos em nossas mentes, lutas e corações. Nossa solidariedade a todas e todos que choram a dor dessa perda, que também é nossa!”.

O rapper Emicida compartilhou uma foto da escritora em seu perfil no Twitter e a agradeceu por “partilhar sua luz com o mundo”. Já a atriz Taís Araújo falou sobre os aprendizados que adquiriu a partir dos textos de hooks, convidou seus seguidores a procurar por esses escritos também e agradeceu pelo legado da autora. “Peguei o hábito de presentear pessoas que não entendiam muito ou questionavam o feminismo com o livro ‘O feminismo é pra todo mundo’. Sei que esse livro transformou vidas, não só a minha. bell hooks e suas provocações me tiravam do eixo. Tiravam? Não! Ainda tiram e sempre vão tirar”, escreveu.

Erica Malunguinho (PSOL-SP), deputada estadual, se referiu à teórica como uma pensadora incansável.

“Quando alguém como bell hooks faz a passagem nos sentimos tristes porque gostaríamos que fossem eternas, pela grande contribuição que dão à humanidade. Porém, como ela bem nos ensinou: ‘entender a morte está sempre conosco pode servir como um lembrete fiel de que o tempo para fazer aquilo que queremos é sempre agora, e não há algum futuro distante e inimaginável. (…) Aceitar a morte com amor significa que abraçamos a realidade do inesperado, de experiências que não podemos controlar’ Salve, bell hooks!!!”, publicou a deputada.