Por Andressa Franco

Imagem: Reprodução

Na última terça-feira (7), o motoboy Alessandro Martins, de 26 anos, gravou um vídeo em que uma mulher lhe dirige ofensas racistas, em Rio Branco (AC). Após a divulgação das imagens, a racista deu entrada no Hospital de Saúde Mental do Acre (Hosmac). Segundo informações do G1, a Secretaria de Saúde do Estado (Sesacre) afirmou que foi internada ‘após o surto’. Por conta do sigilo médico, não foram passados mais detalhes.

Alessandro estava trabalhando em uma farmácia no bairro Floresta, quando a mulher aparece descontrolada fazendo gestos obscenos em direção ao motoboy e grita xingamentos racistas. Durante o ataque, ela ainda cospe no rapaz.

“Vai para o inferno, bando de macaco, filma, corno. Mostra que tu é um preguiçoso, baitola. Mostra tua cara. Isso é pra tu saber, maldito, que eu te abomino. Quadrilha de negro maldita, bando de negro preguiçoso, bando de negro macaco. Filma, corno, filma que tu não tem mais nada a fazer”, dispara.

No mesmo dia, um grupo de motoboys se dirigiu até a casa da mulher, na região da Baixada da Sobral, em um protesto contra o racismo. Um dos motoboys disse em entrevista ao G1 que a internação seria “uma desculpa”.

Motoboys protestaram contra o racismo na tarde desta terça-feira (7) em Rio Branco — Imagem: Reprodução G1
Alegação de insanidade mental não é novidade em casos de racismo

A alegação não chega a ser uma novidade. Em um “surto” muito semelhante, a defensora pública aposentada Cláudia Barrozo, que xingou um entregador de ‘macaco’, protagonizou uma cena de ataques a jornalistas após uma audiência de instrução e julgamento do caso. Enquanto ela tentava dar chutes e tapas em profissionais da imprensa, contida pelo próprio advogado, sua filha chegou a agredir um repórter da TV Globo.

Já a aposentada Elisabeth Morrone, que também proferiu ofensas racistas ao humoristas Eddy Jr em outubro de 2022, alegou não se lembrar da confusão porque estava sob efeito de medicamentos. Isso mais de um mês depois do flagrante, e sem prestar depoimento à polícia.

Em 2020, Lidiane Brandão Biezok, de 46 anos, viralizou nas redes sociais ao aparecer em um vídeo agredindo e ofendendo com palavras racistas e homofóbicas clientes e funcionários de uma padaria em São Paulo. Em 2022, o exame de incidente de insanidade mental realizado por determinação da Justiça concluiu que a mulher tem “transtorno de personalidade”, e é “semi-imputável” (compreende parcialmente o que faz).

O delegado Pedro Resende, que investiga o caso do motoboy Alessandro Martins, anunciou ainda que as testemunhas começaram a ser ouvidas nesta quarta (8).

Já o Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) informou que vai requisitar instauração de inquérito policial para investigar crime de racismo contra a vítima. A advogada e presidente da Comissão de Igualdade Racial da OAB-AC, Mari Barbosa, também colocou a Comissão à disposição de Alessandro para auxiliar no que for necessário.