Na ausência do Estado comunidades travam luta pela erradicação da pobreza no Brasil

Criado em 1987, o Dia da Erradicação da Pobreza, celebrado em 17 de outubro, tem como objetivo conscientizar as populações e os países sobre a situação de pobreza nas nações.

A pobreza ainda é uma realidade em nosso país, onde mais de 60 milhões de brasileiros enfrentam algum tipo de insegurança alimentar

Por Andressa Franco, Daiane Oliveira e Patrícia Rosa

Imagem: CEM

Criado em 1987, o Dia Internacional da Erradicação da Pobreza, celebrado em 17 de outubro, tem como objetivo conscientizar as populações e os países sobre a situação de pobreza nas nações. A erradicação da pobreza ainda não é uma realidade, em um país onde 125,2 milhões de brasileiros passaram por algum grau de insegurança alimentar, segundo Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, conduzido pela Rede PENSSAN.

A pesquisa, divulgada em 2022, ainda revela que, em pouco mais de um ano, a fome dobrou nas famílias com crianças menores de 10 anos, passando de 9,4%, em 2020, para 18,1%, em 2022. Sendo que, a fome é maior nos domicílios em que o responsável está desempregado (36,1%), trabalha na agricultura familiar (22,4%) ou atua com emprego informal (21,1%).

Agroecologia é um caminho

A realidade é de dificuldade ou total precariedade no acesso à alimentação, com isso muitas comunidades trabalham no combate da erradicação da pobreza. Essa é a realidade do Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia (CAPA), em Pelotas (RS) vinculado à Fundação Luterana de Diaconia,  o trabalho da organização tem como base a agroecologia  para fortalecer a segurança alimentar das famílias da comunidade. Juliana Soares,  assessora de projetos do CAPA, fala da estrutura do trabalho da instituição, que atende a 13 cidades do Rio Grande do Sul.

“O  nosso trabalho visa também, disseminar as práticas economicamente sustentáveis, entre famílias rurais, pensando e oferecendo alternativas para permanência no campo”, explica a ativista.

A agricultura é uma das chaves para a erradicação da pobreza  de acordo com estudos da FAO – Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura. Juliana explica que o atual modelo de produção é um problema, pois concentra cada vez mais terras nas mãos do agronegócio.

“O que faz com que, cada vez mais, o ambiente seja degradado e que seja explorado de forma devastadora, para produzir cultura que não são revertidas em alimento para a mesa das famílias brasileiras. O país não investe nesse modelo de produção porque a agroecologia se contrapõe ao modelo convencional não estando a serviço do  capital.”

Juliana Soares, assessora do GAPA – (Imagem: Arquivo pessoal)

Juliana enfatiza a importância da agroecologia, sendo trabalhada em prol do bem-estar das comunidades brasileiras, gerando assim riqueza para as pessoas, para o ambiente, equilíbrio social, econômico e ambiental. A organização tem como um dos maiores desafios  a manutenção das famílias na zona rural e as alternativas de incentivo, que possibilitem a permanência das pessoas jovens no campo.

Em outro ponto do país está o Centro de Integração da Serra da Misericórdia – CEM, localizado na no Complexo da Penha, no Rio de Janeiro, na serra da misericórdia, uma área de preservação ambiental e recuperação urbana carioca. A associação sem fins lucrativos atua a partir da preservação ambiental  e da agroecologia  e agricultura. Ana Santos está a frente do projeto e fala da importância da ação:

“Olhar para esses produtores, agricultores, não só como produtores de alimento, mas como defensores da terra, do nosso bioma é trazer um olhar de políticas públicas que alcance a todos nós”, declarou  Ana Santos.

A preservação ambiental como mecanismo de proteção a agricultura e a sustentabilidade 

Para Ana, as recuperações urbanas verdes fortalecem as cidades. Entre as estratégias do Centro para aproximar o morador da favela das pautas do meio ambiente, está a agroecologia urbana.  O instituto  trabalha  com o fomentando dos quintais produtivos na região. 

Ana Santos, idealizadora do Centro de Integração na Serra da Misericórdia (CEM) – (Imagem: RioOnWatch)

“O intuito é gerar mutirões, encontros de vivências, formação e inicialmente cercando seis hectares dentro da favela na produção de comida de verdade no sistema agroflorestal onde a gente recupera a floresta, mas antes de tudo a gente produz alimento.”

A solidariedade de quem combate a fome

Na busca de melhorar o bem viver da população em situação de rua e vulnerabilidade social, uma Organização de Assistência Alimentar, Constelação do Bem, atua em São Paulo há 2 anos através de voluntariado. Edson Souza, integrante da ONG, lembra que em 2020, no entorno do prédio onde morava, começou a perceber uma grande concentração de pessoas em situação de rua.

“Quando a gente começou a fazer esse trabalho, foi bem no começo da pandemia em abril de 2020. Quando comecei a conversar com as pessoas, eles diziam que fechou tudo e não tinham dinheiro para vender o material reciclável e nem para comer”, lembra Edson.

Com o projeto de Cozinha Solidária, a Constelação do Bem já distribuiu mais de 200 mil marmitas para pessoas em situação de rua, crianças, idosos e famílias carentes de modo geral em toda grande São Paulo. Para atender a lista de mais de 500 famílias que aguardam cestas básicas, o projeto também conta com a doação de anônimos para a campanha “Alimente uma Família com a Constelação do Bem”.

“A gente começou com 30, no outro dia já estávamos com 300 e em um dia só a gente já entregou 1.650 marmitas”, diz o ativista. Atualmente, o projeto que começou de um auxílio individual já conta com 4 cozinhas solidárias, além do grupo também promover a entrega de água, agasalhos, cobertores, livros e brinquedos para as comunidades.

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