O ex-presidente e atual candidato Luís Inácio Lula da Silva (PT) liderou a corrida para o Palácio do Planalto em todos os estados do Nordeste no primeiro turno

Por Andressa Franco

O ex-presidente e atual candidato Luís Inácio Lula da Silva (PT) liderou a corrida para o Palácio do Planalto em todos os estados do Nordeste no primeiro turno. Foram 66,7% dos votos, contra 27% obtidos pelo atual presidente Jair Bolsonaro (PL), uma vantagem de 12,9 milhões de votos. Apesar do congresso conservador eleito pelos baianos, Lula venceu em 415 dos 417 municípios do estado.

Em reação, as redes sociais foram tomadas por ataques xenofóbicos sobre a região, e sobre os nordestinos. “Temos uma conclusão clara nessas eleições: a parte do país que mais recebe assistencialismo decide sobre a parte do país que mais produz para o PIB.”, escreveu o economista e colunista Rodrigo Constantino, apoiador de Bolsonaro.

Outro perfil escreveu: “O Nordeste só tem um bando de pobre filha da puta que fica metendo o dia inteiro, querem ter 1 milhão de filhos pra ganhar auxílio, mamando na teta do governo”, e recebeu como resposta: “Raça burra do cacete, morram de fome e pobreza logo”. Um tempo depois, o tweet foi apagado e a internauta publicou na rede social que o motivo foi ter medo de “petista raivoso”. Mas outros usuários da rede já haviam feito prints das ofensas.

O promotor de Justiça João Linhares denunciou uma página de notícias no Facebook e um personal trainer, que serão investigados por suposta prática do crime de racismo contra nordestinos, também em consequência do resultado das eleições.

A página “Mídia Dourados” postou para os seus 57 mil seguidores: “Depois vem pro Sul vender rede”, além de diversos ataques ao sistema eleitoral. O outro investigado é um personal trainer que nas redes sociais se identifica como Vinícius FBS. Entre suas publicações, postou: “Ê Nordeste, você ainda vai comer muita farinha com água pra não morrer de fome” e “O Nordeste merece voltar a carregar água em balde mesmo. Aí depois vem esse bando de ‘cabeça redonda de bagre’ procurar emprego nas cidades grande”.

O artigo 20 da Lei nº 7.716/1989 prevê punição para a prática de descriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.