O evento é gratuito e será neste sábado (18) às 15h, na Casa do Hip Hop da Bahia, no Pelourinho

Texto e Imagem:Divulgação

Acontece neste sábado (18) o lançamento do livro Novos Rumos da Comunicação Comunitária no Brasil, organizado pelo fundador e diretor da Agência de Notícias das Favelas (ANF), André Fernandes. O evento é gratuito e será às 15h, na Casa do Hip Hop da Bahia, no Pelourinho, em Salvador (BA).

Se trata de uma coletânea produzida pela ANF Editora, reunindo textos de comunicadores populares, acadêmicos e especialistas em comunicação de cidades do país, como:

  • Adair Rocha – fundador do Núcleo de Comunicação Comunitária da PUC-Rio
  • Alexandre Santini – ex-diretor de Cidadania e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura
  • André Santana – jornalista e professor da Universidade do Estado da Bahia – UNEB
  • Mara Rovida – autora do livro Jornalismo das periferias – o diálogo social solidário nas bordas urbanas
  • Patrick Granja – autor do livro Cadê o Amarildo?
  • Michele Cruz Vieira – professora da Universidade Veiga de Almeida e da Faculdade Hélio Alonso – Facha
  • Renata Feital – professora no curso de Jornalismo da Universidade Estácio de Sá
  • Wellington Frazão – coordenador do canal de Web TV Periferia em Foco, Amazonas

O prefácio é do fundador do Grupo Eco e do Viva Rio, Itamar Silva, e a apresentação é da ensaísta e professora Ivana Bentes.

A comunicação comunitária vem exercendo um papel fundamental na sociedade brasileira há pelo menos 50 anos. Nesse período, muitos estudaram e muito mais foi construído por movimentos sociais e por grupos diversos em todo o Brasil.

Outros caminhos também foram traçados neste século – novas tecnologias e a necessidade de crescimento fizeram com que essa mídia contra-hegemônica se tornasse em alguns casos até mesmo comercial, mas sem perder seu caráter comunitário. É sobre esse novo papel da comunicação comunitária no Brasil que se trata o livro Novos Rumos da Comunicação Comunitária no Brasil.

Comunicação comunitária vem de longe

Oficialmente, a imprensa no Brasil começa em 1808, com a chegada da Família Real Portuguesa ao Rio de Janeiro (RJ). Antes e depois dessa data, diversos pioneiros produziram jornais e outros meios de comunicação à margem da oficialidade, tanto estatal, quanto a representada por empresas atreladas ao poder político e econômico.

É um exemplo a Revolta dos Búzios deflagrada em 1798, quando 11 boletins pedindo liberdade, igualdade e o fim da escravização foram espalhados em pontos estratégicos da capital baiana no período Brasil-Colônia. A Revolta é uma data simbólica para as mídias negras, já que, mesmo em um período onde a imprensa era proibida pela Metrópole portuguesa, a comunicação foi a estratégia utilizada para que a mensagem fosse propagada.

Na Ditadura, a ousadia de afrontar

Na história recente do Brasil, é marcante a quantidade de publicações chamadas de alternativas, caracterizadas por se colocarem contra a Ditadura instaurada como Golpe civil-militar de 1964.

No livro Jornalistas e Revolucionários, o jornalista e pesquisador Bernardo Kucinski catalogou 150 títulos diferentes publicados em todo o Brasil durante o governo militar.

Muitas dessas publicações, a maioria jornais, eram voltadas para a classe média, mas são históricas as iniciativas ligadas às comunidades, como o Brasil Mulher. O jornal foi o primeiro periódico da imprensa alternativa feito por mulheres e dirigido às mulheres da Baixada Fluminense. Começou a circular em 1975, sendo extinto em 1980, totalizando 20 edições.

Comunicação comunitária no terceiro milênio

Com o advento da internet, vieram à tona discursos e ações que estavam à margem, protagonizados por negros, mulheres, LGBTQIA+, comunicadores da periferia, entre outros dissidentes.

A força e o tamanho desse movimento que se fortalece a cada dia é praticamente incalculável. E sobreviveu aos revezes dos últimos quatro anos, durante os quais a pandemia de Covid-19 e um governo autoritário prejudicaram a comunicação comunitária. Mas ela sobrevive, firme, forte e crescente.