Congelado desde 2019, a retomada do Fundo Amazônia foi um dos atos assinados por Lula em sua cerimônia de posse

Por Andressa Franco

Imagem: DW

Conforme prometido pelo ministro do Meio Ambiente da Noruega, Espen Barth Eide, o país europeu retomou a ajuda financeira contra o desmatamento da Amazônia. O anúncio foi feito um dia depois da vitória de Luís Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições para presidência do Brasil. A suspensão da ajuda financeira vinda dos noruegueses aconteceu em 2019, quando Jair Bolsonaro (PL) assumiu a presidência e suspendeu comitês vinculados ao Fundo Amazônia.

Até a suspenção, a Noruega era o principal fornecedor de recursos para a proteção da floresta amazônica. Durante o governo Bolsonaro, o desmatamento na Amazônia brasileira aumentou 70%, um índice “escandaloso” nas palavras de Barth Eide, que disse que seu país entrou em um “confronto frontal” com o líder de extrema-direita sobre a questão.

Na última terça-feira (3), a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), se reuniu com representantes dos governos norueguês e alemão para retomar o financiamento do Fundo Amazônia. No mesmo dia, o Ministério do Clima e Meio Ambiente da Noruega anunciou que o Brasil já pode aplicar cerca de R$ 3 bilhões doados pelo país para o Fundo Amazônia.

O Fundo foi criado em 2008 para financiar projetos de redução do desmatamento e fiscalização do bioma. A retomada do Fundo foi um dos atos assinados por Lula no último domingo (1º), em sua cerimônia de posse.

“A Noruega e o Brasil têm interesses comuns no combate à crise climática, na redução do desmatamento e na promoção do desenvolvimento sustentável. Neste sentido, a reabertura do Fundo Amazônia pelo governo brasileiro e o descongelamento dos recursos no fundo fornecerão apoio importante para a implementação dos planos ambiciosos do governo”, afirmou o governo norueguês.

No total, conforme o governo norueguês, o fundo soma cerca de R$ 3,5 bilhões, dos quais 94% foram doados pela Noruega.

Durante a gestão de Ricardo Salles, Ministro do Meio Ambiente no governo Bolsonaro, a pasta deixou de investir 3,3 bilhões de reais no combate ao desmatamento na Amazônia. Um dos maiores escândalos da sua administração diz respeito à investigação de facilitação à exportação de madeira ilegal do Brasil para Estados Unidos e Europa, o que culminou na sua exoneração em junho de 2021.

Nesta terça-feira, Marina também confirmou a retomada das doações feitas pela Alemanha, após reunião com a ministra do Meio Ambiente do país, Steffi Lemke. Em suas redes sociais, a ambientalista reconhecida internacionalmente, que foi empossada nesta quarta-feira (4), publicou uma foto com Lemke.

Ela anunciou que, além da ajuda financeira, o apoio inclui “a cooperação tecnológica, técnico científica e ainda a mobilização de outros doadores. Projetos como aquisição de produtos brasileiros de baixo carbono, hidrogênio verde e outros da bioeconomia serão viabilizados nessa cooperação.”

O presidente da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, compareceu à posse de Lula, e na segunda-feira (2) visitou o Amazonas. Ele confirmou ao governador do estado, Wilson Lima, a retomada dos investimentos no Fundo Amazônia. O aporte pode chegar a 35 milhões de euros, o que equivale a 192 bilhões de reais.

Marina Silva também já se reuniu com a ministra do Meio Ambiente na Grã-Bretanha, Therese Coffey, junto com o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, e com a ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara. Com a retomada dos outros países europeu ao Fundo, Coffey também considera a possibilidade de financiar a preservação ambiental da floresta. 

À agência Reuters, a ministra da Grã-Bretanha confirmou a previsão de ingresso no fundo e afirmou que o Reino Unido já é o terceiro maior colaborador do Brasil no meio ambiente, com suporte de 250 milhões de libras para ações na área.