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Pesquisa revela como racismo estrutura internações e políticas de saúde mental nas Américas

Estudo com 116 entrevistas em três países aponta que modelos baseados na abstinência e internação reproduzem desigualdades raciais e práticas de exclusão
Imagem: Freepik

Catiane Pereira*

Um estudo conduzido pelo Centro de Pesquisa, Formação e Referência em Relações Raciais – (AMMA Psique e Negritude) evidencia como o racismo atravessa políticas de drogas e modelos de cuidado em saúde mental no Brasil, na Colômbia e nos Estados Unidos. Intitulada “Internação, abstinência e racismo em contextos transnacionais”, a pesquisa reúne dados de campo coletados em 16 cidades e 116 entrevistas com pessoas que passaram por serviços de internação voltados à abstinência.

A investigação aponta que esses modelos de tratamento estão historicamente associados a práticas de controle, punição e exclusão, que atingem de forma desproporcional populações negras. Segundo o relatório, o cuidado baseado na internação de longo prazo, quando desvinculado de políticas públicas integradas e da garantia de direitos, pode reforçar violências institucionais e aprofundar desigualdades já existentes.

O estudo também destaca que a chamada “guerra às drogas” opera como um mecanismo contemporâneo de controle social, com impactos diretos sobre populações negras e periféricas. Entre os efeitos identificados estão o encarceramento em massa, a internação compulsória e a reprodução de estigmas que associam o uso de drogas à criminalização e à marginalização desses grupos.

Nos três países analisados, a pesquisa identifica a expansão de instituições baseadas na abstinência, como comunidades terapêuticas, muitas vezes sustentadas por práticas disciplinares, isolamento social e abordagens moralizantes. Apesar de amplamente utilizadas, essas estratégias são alvo de críticas por desconsiderarem evidências científicas e por acumularem denúncias de violações de direitos.

Ao privilegiar a escuta de pessoas que passaram por essas instituições, o estudo também evidencia como o racismo institucional se manifesta no cotidiano do cuidado, seja nas barreiras de acesso aos serviços, seja na forma como usuários são tratados ao longo de suas trajetórias. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa e cartográfica, reconhecendo as experiências dos participantes como centrais na produção de conhecimento sobre saúde mental e desigualdades raciais.

Com mais de três décadas de atuação, o AMMA Psique e Negritude atua na interface entre saúde mental, relações raciais e direitos humanos, sendo referência na produção de estudos sobre o tema.

Como desdobramento desse processo, será lançada no dia 16 de abril a Carta Manifesto: por uma saúde mental antirracista no Brasil. O documento reúne diretrizes para a construção de políticas públicas baseadas no cuidado em liberdade, no fortalecimento da rede pública e no enfrentamento do racismo como determinante das desigualdades em saúde.

*Com informações de AMMA Psique e Negritude

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