Primeira deputada negra depois de Antonieta de Barros toma posse na Assembleia Legislativa de Santa Catarina

A professora Vanessa da Rosa (PT) assumirá o cargo enquanto suplente até o dia 20 de novembro. A primeira, e única, parlamentar negra eleita para o parlamento catarinense foi Antonieta de Barros, em 1934.

A professora Vanessa da Rosa (PT) assumirá o cargo enquanto suplente até o dia 20 de novembro. A primeira, e única, parlamentar negra eleita para o parlamento catarinense foi Antonieta de Barros, em 1934.

Por Andressa Franco

Imagem: Bruno Collaço / AGÊNCIA AL

Depois de 89 anos, uma mulher negra voltou a ocupar uma cadeira na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc). A primeira parlamentar negra eleita para o parlamento catarinense, também estava entre as três primeiras mulheres eleitas na história do Brasil, a única negra: Antonieta de Barros, em 1934. Na última quinta-feira (19), a professora Vanessa da Rosa (PT) tomou posse como a segunda deputada negra da Casa.

Vanessa assume como suplente no lugar do deputado Padre Pedro Baldissera (PT), que se licenciou por um mês. Ela ficará até o dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra.

A professora classifica o momento como ímpar não só em sua vida, mas nas vidas das mulheres negras de Santa Catarina.

“É simbólico e histórico ocupar uma cadeira na Alesc quase um século após Antonieta de Barros. É um mandato que será curto no seu tempo, mas gigante no seu simbolismo e que isso sirva de alerta para a sociedade catarinense. Não podemos naturalizar 89 anos sem uma mulher negra na Alesc”, pondera.

As eleições de 2022 foram as primeiras em que Vanessa disputou um cargo político, recebendo 16.832 votos, sendo assim a primeira suplente de deputada estadual pelo partido.

Ela é ex-secretária da Educação de Joinville e professora há 33 anos da educação básica ao ensino superior. Também é Mestre em Educação pela UFSC, especialista em História da Arte pela Univille e em Educação de Jovens e Adultos pela Universidade de Brasília (UNB). Hoje, trabalha na Escola Municipal Anna Maria Harger como supervisora do ensino fundamental 2 (6º ao 9º ano) e é pesquisadora de Relações Raciais e Gênero.

O ambiente da política institucional é violento para com as mulheres

Para ela, o ambiente político é violento e intimidador com as mulheres que se propõem a ocupá-lo. Um espaço onde as parlamentares têm as pautas “minorizadas, ridicularizadas, onde os microfones são cortados e os parlamentares se incomodam com o cabelo e a vestimenta”.

Ainda assim, defende que é preciso romper com essa lógica, e que as mulheres devem ser incentivadas a se colocarem à disposição para ocupar estes espaços. “O número de mulheres nas assembleias legislativas, no geral, já é mínimo: 18%. Desses, 7% são mulheres negras”, lamenta.

As mulheres negras são o maior grupo populacional do Brasil, no entanto, representam apenas 2% no Congresso Nacional.

Além do deputado Padre Pedro Baldissera (PT), também estavam presentes na posse o ex-prefeito de Joinville, Carlito Merss (PT) e a ex- senadora Ideli Salvatti (PT). Vanessa foi saudada por todos os parlamentares que participaram da sessão.

Além do antirracismo, Vanessa tem entre suas pautas prioritárias a defesa da educação, a luta pelos jovens e o combate a violência contra a mulher.

“A nossa sociedade é racista. Principalmente a sociedade de Santa Catarina. Tenta delimitar não só os espaços que a gente vai ocupar, como também os espaços onde nós habitaremos, onde a gente vai se constituir enquanto sujeito negro. O racismo é estrutural, e em determinados espaços, nós ainda causamos estranheza”, avalia a parlamentar.

Para ela, são necessárias políticas públicas que favoreçam a entrada das mulheres negras na política. Para que os partidos políticos levem a sério o cumprimento não apenas das cotas de candidaturas femininas, mas a adoção de estratégias políticas comprometidas com, além da candidatura, a eleição dessas mulheres.

Apesar de reconhecer a importância da conquista, Vanessa lembra que ainda há uma longa caminhada pela frente para que uma mulher negra assuma um mandato enquanto titular, e não apenas enquanto suplente.

“Precisamos encorajar as mulheres a participar, qualificá-las com formação política e de uma estratégia política. Precisamos que não sejamos só uma cota, mas que os partidos se organizem para realmente eleger uma mulher negra”, finaliza.

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